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Takafumi: O monge do templo Shunkoin em Quioto

Num dos dias que estive em Quioto na viagem ao Japão, rumei ao norte da antiga capital imperial, onde se encontram muitos dos mais de 1.600 templos da cidade. É nesta região que se encontra o Kinkakuji, o magnífico templo coberto de ouro, e o Ryōan-ji, o templo zen com um dos mais belos jardins de pedra tradicionais do Japão.

roteiro 4 dias quioto

Esta foi a altura ideal da viagem para ficar a conhecer melhor a escola budista zen, uma prática que foi criada na China no século VII e que transitou para o Japão, tendo um forte impacto cultural e filosófico neste país.

Decidi então visitar o templo Shunkoin, que pertence à vertente Myoshin-ji, a maior das 14 escolas de budismo zen que existem no Japão. Este templo fundado em 1590 por Yoshiharu Horio, um dos grandes senhores feudais da época, pertence hoje à família do monge budista Takafumi, que encontrámos à porta do edifício.

Tendo estudado Teologia e Filosofia nos Estados Unidos, Takafumi regressou a Quioto depois dos seus estudos e percebeu que quem vinha de fora do Japão tinha um interesse cada vez maior em entregar-se à meditação zen. Como falava fluentemente inglês e conhecia bem a cultura ocidental, foi-lhe fácil começar a dar aulas a estrangeiros sobre o budismo e a escola zen. Hoje, o templo oferece visitas guiadas, aulas de meditação, cursos completos e, até, estadias para quem queira aproveitar uma experiência completa.

No decorrer da nossa conversa com o Takafumi descobrimos ainda que este local guarda uma pequena relíquia de herança portuguesa. O sino de Nanban-ji guardado no seu interior foi construído em 1577 em Portugal por jesuítas, tendo sido enviado posteriormente para Quioto. Está aqui guardado há quase 500 anos e conta um pouco da história do Cristianismo no Japão no século XVI e das ligações político-económicas que havia entre Portugal e o Japão.

Esta foi uma experiência completamente diferente para mim, que me fez sair um pouco da minha zona de conforto. Adorei conhecer o Templo Shunkoin, beber chá verde e meditar (ou, pelo menos tentar!). Adorei ficar à conversa com o Takafumi e ouvir uma perspetiva nova sobre o budismo zen, que foge às visões religiosas mais tradicionais. Vejam a história dele abaixo.

Caso tenham dificuldade em perceber, poderão ativar as legendas em Português do YouTube em “Subtitles” ao lado do ícone das Definições (canto inferior direito do vídeo, no Youtube).

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Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

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7 comentários
  1. Karine Porto
    Karine Porto says:

    Que interessante! Imagino que o aumento na busca por mais qualidade de vida e uma vida mais ‘desacelerada’ tenha feito crescer a busca por lugares como esse. Eu adoraria conhecer mais sobre o busdimo zen. Excelente post!

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  2. Analuiza
    Analuiza says:

    oi Diana… quando visitei Quioto, estive em alguns belos e maravilhosos templos, mas este eu não fui. Achei interessante a proposta de ensinar a nós ocidentais a beleza do budismo, da meditação. Deve ter sido uma visita interessante esta sua, com ótimas sementes plantadas! 🙂 bj

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  3. Flávia Donohoe
    Flávia Donohoe says:

    esse local transmite uma paz inexplicável, um dos meus sonhos de viagem é visitar o Japão e incluir Quioto na rota é imprescindível, ótimo saber sobre esse lugar, assim já incluo na lista de viagem! Abraços

    Responder

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