Com muito pouca prática, mas alguma determinação, decidi fazer a Estrada Nacional 2 de bicicleta em agosto. O meu treino de preparação foi quase nulo e não tinha equipamento profissional, portanto decidi fazer os 738,5 quilómetros da estrada que liga Chaves a Faro bem devagar.

Completei-a em 13 etapas num regime bem simples: pedalar de manhã pela fresca e descansar a partir da hora de almoço, aproveitando para conhecer as povoações por onde ía passando, sendo que nunca tinha estado em muitas delas.

estrada nacional 2 de bicicleta

Estrada Nacional 2 de Bicicleta: Etapas

Etapa 1 – Chaves a Vila Pouca de Aguiar

Iniciámos o percurso no quilómetro zero da Estrada Nacional 2 pelas 7h40. Esta foi uma etapa com poucos quilómetros para que os músculos se habituassem à estrada e a pedalar. Não existem subidas acentuadas e chegámos rapidamente ao nosso destino.

No final do percurso, para fugir ao trânsito é possível fazer o percurso de Vidago a Vila Pouca de Aguiar pela Ecopista do Corgo, que aproveita a antiga linha de comboios do Corgo.

Hora de Saída: 7h43

Distância: 36 quilómetros

Ganho de Elevação: 697 metros

Tempo em movimento: 2 horas e 51 minutos

Velocidade Média: 12,7km/h

Etapa 2 – Vila Pouca de Aguiar a Peso da Régua

A segunda etapa foi bastante fácil com um percurso maioritariamente a descer. Iniciámos o dia num planalto logo depois de Vila Pouca. Depois disso, temos uma pequena subida e é sempre a descer até Vila Real.

Depois de Vila Real, continuámos a descer até encontrar uma subida moderada até quase à entrada na Régua. A partir daí também é sempre a descer.

Hora de Saída: 8h30

Distância: 54 quilómetros

Ganho de Elevação: 577 metros

Tempo em movimento: 3 horas e 24 minutos

Velocidade Média: 15,7km/h

Etapa 3 – Peso da Régua a Castro Daire

Este foi o dia mais duro da nossa viagem. É sempre a subir até estarmos a uns 17 quilómetros de Castro Daire. Subimos as vinhas do Douro e, depois, há mais inclinação, serra acima. Felizmente, as subidas não são muito acentuadas e dá para ir sempre pedalando, na primeira mudança, sem muitas pausas.

Hora de Saída: 9h14

Distância: 45 quilómetros

Ganho de Elevação: 982 metros

Tempo em movimento: 4 horas e 5 minutos

Velocidade Média: 11,1km/h

estrada nacional 2 de bicicleta

Etapa 4 – Castro Daire a Viseu

Atravessamos o rio Paiva à saída de Castro Daire e começamos o nosso percurso. Neste dia encontrámos subidas e descidas bastante acentuadas, e uma paisagem lindíssima pela serra. Como fizemos menos quilómetros nesta etapa e as descidas iam compensando as subidas, foi um dia que se fez bastante bem e terminámos cedo, dando-nos tempo para explorar Viseu e recuperar.

Hora de Saída: 8h34

Distância: 34 quilómetros

Ganho de Elevação: 583 metros

Tempo em movimento: 2 horas e 29 minutos

Velocidade Média: 13,8km/h

Etapa 5 – Viseu a Penacova

À saída de Viseu optámos por fazer um desvio à Estrada Nacional 2 e fomos pela Ecopista do Dão até Santa Comba Dão. Com 50 quilómetros de comprimento, esta é provavelmente a ecopista mais bonita de Portugal. Passámos pelas estações antigas de comboio e descemos a serra até ao rio Dão ficar na nossa mira. Uma alternativa que vale a pena fazer – e um percurso que é sempre a descer!

Depois de chegarmos a Santa Comba Dão, voltamos à Estrada Nacional 2 e passamos pela casa onde o Salazar nasceu. Mais à frente, vamos paralelas ao IP3, nas estradas de acesso local. O percurso continua maioritariamente a descer. Existem apenas dois momentos em que temos de entrar no IP3: para atravessar as pontes sobre o rio Mondego. Os carros vão a velocidades mais altas, mas as bermas são largas e rapidamente regressamos às estradas de acesso local, depois de atravessarmos as três pontes sobre o Mondego.

Hora de Saída: 10h35

Distância: 77 quilómetros

Ganho de Elevação: 679 metros

Tempo em movimento: 4 horas e 44 minutos

Velocidade Média: 16,3km/h

estrada nacional 2 de bicicleta

Etapa 6 – De Penacova a Góis

Depois de um pequeno percurso junto ao rio, há um troço com uma forte inclinação, talvez a maior que encontrei em toda a Estrada Nacional 2. Pela primeira vez, sou obrigada a parar um par de vezes para recuperar o fôlego. Felizmente, a subida é curta e o percurso continua com inclinações mais suaves. Ao nos aproximarmos de Góis, é sempre a descer até à vila, onde há uma praia fluvial onde podemos recuperar energias.

Hora de Saída: 10h58

Distância: 32 quilómetros

Ganho de Elevação: 497 metros

Tempo em movimento: 2 horas e 14 minutos

Velocidade Média: 14,2km/h

Etapa 7 – Góis a Sertã

Esta foi uma etapa sempre a subir e a descer. Como fizemos bastantes quilómetros, acabou por ser um dia mais duro. À saída de Góis encontramos algumas subidas, mas à chegada a Pedrógrão Grande é sempre a descer até à barragem do Cabril (onde há uma bela piscina fluvial para refrescar). Atravessando a barragem, voltam as subidas até à aproximação à Sertã, onde há uma longa descida.

Hora de Saída: 8h20

Distância: 71 quilómetros

Ganho de Elevação: 1.348 metros

Tempo em movimento: 5 horas e 23 minutos

Velocidade Média: 13,2km/h

Etapa 8 – Sertã a Abrantes

Da Sertã a Vila de Rei há subidas bastante acentuadas e pela segunda (e última vez) tenho de parar para recuperar o folgo. Mas aqui já vamos a meio da Estrada Nacional 2. É à chegada a esta vila que encontramos o marco com o centro geodésico de Portugal. Depois de Vila de Rei, o percurso é maioritariamente a descer até Abrantes.

À saída de Vila de Rei há que ter atenção, uma vez que a nova variante até Abrantes faz agora parte da Estrada Nacional 2, mas não é esta a estrada antiga. Há uma pequena placa na rotunda à saída de Vila de Rei que indica “Rota EN2” e é por essa estrada que se deve seguir. É uma estrada muito menos movimentada, antiga, com curvas e contracurvas, e que passa pela serra e pelo Penedo Furado. Vale a pena os quilómetros a mais!

Hora de Saída: 8h35

Distância: 52 quilómetros

Ganho de Elevação: 853 metros

Tempo em movimento: 3 horas e 55 minutos

Velocidade Média: 13,2km/h

Etapa 9 – Abrantes a Montargil

Atravessamos o rio Tejo à saída de Abrantes e de repente tudo fica plano, numa imensa reta. É a aproximação ao Alentejo e o calor do sul já se faz sentir. Uma etapa que é mais fácil e nos ajudou a recuperar algum cansaço acumulado.

Hora de Saída: 7h52

Distância: 54 quilómetros

Ganho de Elevação: 352 metros

Tempo em movimento: 3 horas e 13 minutos

Velocidade Média: 16,9km/h

Etapa 10 – Montargil a Montemor-o-Novo

Este dia tem mais elevações do que o dia anterior, mas continua a ser maioritariamente plano, com subidas e descidas suaves. O maior desafio agora é o calor e tentamos acordar cada vez mais cedo. Pelo caminho, passamos por Ciborro, onde se encontra o marco de 500km da Estrada Nacional 2 e celebramos – meio milhar de quilómetros nas pernas!

Hora de Saída: 7h36

Distância: 59 quilómetros

Ganho de Elevação: 659 metros

Tempo em movimento: 3 horas e 36 minutos

Velocidade Média: 16,2km/h

Etapa 11 – Montemor-o-Novo a Ferreira do Alentejo

Mais Alentejo, numa paisagem que é constante. Acordamos mais cedo e pedalamos mais depressa para chegar a Ferreira do Alentejo antes que o sol comece a queimar. Mais uma vez, as descidas e subidas são suaves e, portanto, precisamos apenas de fazer uma curta paragem no Torrão.

Hora de Saída: 6h40

Distância: 77 quilómetros

Ganho de Elevação: 761 metros

Tempo em movimento: 4 horas e 23 minutos

Velocidade Média: 17,4km/h

Etapa 12 – Ferreira do Alentejo a Almodôvar

Com inclinações suaves e a temperatura a subir, continuamos a tentar pedalar depressa na planície alentejana. Vemos Aljustrel ao longe, mas não nos atrevemos a entrar na vila para não perder tempo. Fazemos uma curta paragem em Castro Verde e ainda paramos na feira artesanal do centro da vila, antes de seguir caminho até Almodôvar.

Hora de Saída: 7h13

Distância: 69 quilómetros

Ganho de Elevação: 635 metros

Tempo em movimento: 4 horas e 1 minuto

Velocidade Média: 17,1km/h

Etapa 13 – Almodôvar a Faro

É o último dia e começamos a pedalar depressa com vontade de ver o mar no final da estrada. À saída de Almodôvar iniciamos algumas subidas e descidas suaves em aproximação à serra do Caldeirão. Quando estamos quase a chegar ao Ameixial as subidas tornam-se acentuadas até chegarmos ao ponto mais elevado, a partir do qual começamos a ter algumas descidas. A partir de S. Brás de Aportel é sempre a descer até Faro.

Hora de Saída: 7h11

Distância: 75 quilómetros

Ganho de Elevação: 933 metros

Tempo em movimento: 4 horas e 24 minutos

Velocidade Média: 16,9km/h

 

Estrada Nacional 2 de Bicicleta: em resumo

Ainda que aos olhos de alguém que esteja neste momento com os músculos descansados num sofá tudo isto pareça uma epopeia hercúlea, fazer a Estrada Nacional 2 de bicicleta foi muito simples. E, na verdade, não requer muita preparação, além de uma boa dose de perseverança e teimosia.

A minha bicicleta foi um simples modelo dos mais baratos da Decathlon: comprei apenas um par de luzes, umas luvas, um capacete, uma mala de bicicleta e uns calções almofadados. Este último, a compra de maior retorno, e no qual vale a pena investir numa gama superior. A minha mala pesava o mínimo possível e todos os dias lavava a roupa no local onde ficava alojada. Também não vale a pena levar comida porque todo o peso é dispensável e existem inúmeros cafés e restaurantes na estrada.

Apesar de não ser uma pessoa sedentária, não fiz qualquer tipo de preparação física. E, apesar de ter planeado a viagem em 17 etapas, consegui terminá-la em 13, porque cada dia conseguia fazer mais alguns quilómetros do que o previsto.

  • Se houve momentos em que pensei que não ia conseguir? Sim, especialmente nos primeiros 5 dias, quando ainda tinha muito pela frente.
  • Se me doeu o corpo? Claro, especialmente, depois dos dias de maior esforço.
  • Se, em algum momento, tive medo por sermos apenas duas raparigas a viajar? Nunca por essa razão. O único dia que tive medo foi pelas condições meteorológicas. Apanhámos uma chuva torrencial, acompanhada de um nevoeiro cerrado num vale em que, simplesmente, não podíamos parar.
  • Se pensei em desistir? Nunca, em nenhum momento.
  • Se faria de novo? Sim! Esta foi talvez a viagem mais bonita e enriquecedora que fiz por Portugal, que me permitiu mergulhar no país de uma forma que eu não sabia que seria possível. Porque conhecer as serras, os vales, as vilas e as pessoas do país inteiro e viajá-lo apenas com a força das nossas pernas é uma descoberta que quem ainda só viajou com auxílio do motor não pode compreender.

Alojamento na Estrada Nacional 2

Reservei alojamento apenas nas nossas primeiras paragens: Chaves, Vila Pouca de Aguiar e Peso da Régua. Como nunca tinha feito nada do género, não tinha noção se iria conseguir fazer as etapas que tinha planeadas, portanto decidi não reservar mais nada a partir da Régua. Felizmente, tudo correu bem e até conseguimos terminar a Estrada Nacional 2 de bicicleta em menos etapas do que tinha pensado!

Na maior parte dos casos, decidimos parar em povoações maiores e procurar alojamento à chegada. Ainda existem muitas pensões e residenciais que não estão no Booking e que têm uma ocupação baixa, portanto tivemos sorte. São alojamentos simples, mas serviram a nossa necessidade.

Se estão a planear realizar a Estrada Nacional 2 de bicicleta, visitem também a Associação Rota N2 que promove o percurso. Para mais artigos sobre Portugal no Contramapa cliquem aqui. Acompanhem também a página do Facebook e do Instagram.

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

6 replies
    • contramapa
      contramapa says:

      Olá José,
      Vou tentar fazer um resumo dos custos, se em que posso não estar a ser 100% precisa.

      Equipamento – Eu levei a bicicleta da minha mãe, portanto apenas tive de comprar suporte (20€ Decathlon), a mala para a bicicleta (uns 40€, se bem me lembro), calções de boa qualidade (1 par – 50€), luvas (entre 5€ e 10€), capacete (10€ a 15€) e luzes (5€ euros cada). Portanto um total de 145€ em equipamento.

      Alimentação – Entre 10€ a 15€ por referição nos restaurantes locais: é fazer as contas pelo número de dias.

      Alojamento – Entre 25€ e 40€ por quarto duplo, sendo que ficámos nos alojamentos mais simples. É também fazer as contas pelo número de dias.

      Espero que tenha ajudado!

      Responder

Leave a Reply

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.