Fins-de-semana de inverno não significam só mantas, canja e lareira. Também são óptimas alturas para fazer umas curtas viagens e aproveitar locais que ficam mais calmos, sem a confusão do verão onde há muita gente de férias. E um dos meus últimos destinos de fim-de-semana foi a visitar Coimbra.

A cidade portuguesa foi capital de Portugal, berço dos primeiros reis e local da fundação da Universidade mais antiga de Portugal. É uma cidade com uma longa história e muito para ver. Um fim-de-semana não foi suficiente para explorar tudo, mas foi o tempo que tivemos!

A Quinta das Lágrimas

Começámos a visitar Coimbra na margem sul do Mondego, a zona mais nova da cidade. E a primeira paragem foi a Quinta das Lágrimas, local imortalizado pelos amores proibidos de D. Pedro e Inês de Castro. Conta a lenda que a amante de D. Pedro foi assassinada neste local, a mando do seu pai, o rei D. Afonso IV.

A Quinta das Lágrimas pertence hoje a um hotel do mesmo nome, mas pode ainda hoje ser visitada. Nós caminhámos pela pequena quinta e achámos o local mais famoso que belo. Claro que todos queremos ver a fonte das lágrimas e a famosa fachada em ruínas que ficou na nossa memória desde os livros de História, mas a Quinta tem muito pouco mais para ver.

Mas bom. Estando eu Coimbra, valeu a pena conhecer este local emblemático. E o passeio pela manhã no bosque soube bem para acordar!

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Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Perto da Quinta das Lágrimas, fica o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Fundado pela rainha Santa Isabel no século XIV, o mosteiro acabou por ser abandonado, já que pela sua proximidade ao rio Mondego estava constantemente a ser alvo de inundações. Bons planeamentos dos arquitectos medievais, é o que é.

Contudo, durante um curto espaço de tempo o mosteiro foi bastante importante, até porque a própria rainha Santa Isabel viveu aqui depois de enviuvar de D. Dinis. Hoje, o complexo foi transformado num museu e as ruínas podem ser visitadas!

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O Fado de Coimbra

Da parte da tarde, foi altura de conhecer o Fado de Coimbra. Muito diferente do fado de Lisboa, o fado de Coimbra foi influenciado pelas serenatas que os estudantes cantavam à janela das suas apaixonadas e, por isso, é uma música muito mais romântica e cantada apenas por vozes masculinas.

Nós fomos ouvi-lo ao Fado ao Centro, um centro cultural que tem espectáculos todos os dias ao vivo. O centro foi criado por ex-estudantes de Coimbra e tem ajudado a pôr o fado nas bocas (e ouvidos) do mundo. Este é o fado tradicional de Coimbra, cantado a duas guitarras (a tradicional de Coimbra e a clássica) e com as vozes dos estudantes da Universidade. As músicas, essas, são as clássicas: de Carlos Paredes a Luís Góis.

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Além de sala de espectáculos e promotora, o Fado ao Centro é também uma escola de música, onde existem cerca de 200 alunos, alguns dos quais bem mais novos do que a faixa etária universitária.

Aqui, existe também uma Oficina de Construção de Instrumentos que se dedica a recriar instrumentos tradicionais portugueses: guitarra portuguesa, guitarra de Coimbra, viola, cavaquinho, bandolim, entre outros. Esta escola está aberta ao público e é uma visita muito interessante, especialmente para quem goste de música!

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À hora de jantar fomos a outra casa de Fados, bem diferente. Localizada na capela de Nossa Senhora da Vitória, esta a àCapella é um convite ao convívio num ambiente descontraído. Aqui, vamos petiscando à medida que ouvimos o fado e podemos até conversar com os músicos no final. Os espectáculos decorrem numa câmara gótica do século XIV, mas há um toque de fusão no fado tradicional: entram em cena à vez também o acordeão e o piano. As músicas, essas, continuam a ser os clássicos de Coimbra!

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A Universidade de Coimbra

No dia seguinte, o grande desafio foi visitar a Universidade de Coimbra. Já tinha falado sobre o muito que há para ver neste local no Guia Completo da Universidade e nas 8 Curiosidades da Universidade e visitar Coimbra inclui uma paragem obrigatória aqui. É verdade. O instituto académico fundado por D. Dinis é hoje uma das universidades mais antigas da Europa e é considerado património mundial da UNESCO.

Foi portanto uma visita obrigatória… mas não muito fácil de lá chegar. Coimbra está dividida entre zona Alta (onde se situa a Universidade) e a zona Baixa (até junto ao rio Mondego). Como nós estávamos hospedados na Baixa tivemos de subir tudo a pé até lá acima. Não foi pêra doce, não.

Seguimos o atalho que o Google Maps nos sugeriu e fomos pelas Escadas do Quinchorro acima. Quase não houve pernas que me valessem!

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Quando chegámos lá acima, finalmente a recompensa. A Universidade de Coimbra é realmente um complexo riquíssimo onde é possível ler passo a passo a história de Portugal.

Começámos pelo Paço das Escolas. Este edifício, antes de pertencer à Universidade de Coimbra, foi o primeiro paço real português, local onde nasceram os Reis portugueses da primeira dinastia. No Paço das Escolas existe também a magnífica Biblioteca Joanina, ex libris da Universidade. Muito bem conservada, conseguimos imaginar os estudantes do século XVIII que por aqui vinham estudar. A capela de S. Miguel, mesmo ao lado, também merece uma visita pelo seu grandioso órgão!

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Depois do Paço das Escolas, seguimos para o Museu da Ciência, que é composto pelo Laboratório Químico e pelo Colégio de Jesus. Ambos edifícios da época do Marquês de Pombal, foram hoje transformados num museu interactivo que mostra o espólio do estudo das ciências ao longo do século XVIII e XIX.

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Vale muito a pena a visita, principalmente pela Galeria de História Natural. Esta parte do museu contém as espécies animais recolhidas pelos estudantes da universidade nas colónias portuguesas no século XVIII. E muito bem conservadas!

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Baixa de Coimbra: Lojas, restaurantes e a Igreja de Santa Cruz

Depois de almoço seguimos para a Baixa de Coimbra, onde se encontram muitas lojas e restaurantes. É também aqui que fica a Igreja de Santa Cruz, onde estão sepultados os dois primeiros Reis de Portugal: D. Afonso Henriques e D. Sancho I.

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Estava à espera de encontrar um monumento grandioso, mas a verdade é que a igreja até é pequena e num estado de degradação algo elevado. As esculturas tumulares são bastante posteriores à morte dos Reis, da época manuelina, e estão mesmo junto ao altar.

Depois da visita à igreja, andámos ainda pelas ruas da Baixa em jeito de despedida. E descobrimos ainda a Porta de Almedina e a Porta da Barbacã, que faziam parte das antigas muralhas da cidade e marcam o início da subida para a Alta da cidade.

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Do lado esquerdo: a Porta Barrosã; Do lado direito: o Arco de Almedina

Olhámos para cima e dissemos adeus à cidade-estudante. Havia muito mais para ver, mas apenas tivemos dois dias para conhecer a cidade…

Hei-de voltar.

Onde Comer quando visitar Coimbra

Durante o fim-de-semana comi muito e bem. Ora não fosse eu um bom garfo, especialista em petiscos, sobremesas e outras iguarias.

Passei então por:

– Fangas Mercearia & Bar – Ao contrário do que o nome indica, este é um restaurante intimista de tapas e pequenos petiscos. Estava tudo delicioso, mas eu gostei particularmente do bacalhau fresco com puré de grão de bico.

– àCapella – Foi o restaurante na igreja de Nossa Senhora da Vitória onde assistimos ao espectáculo de fado. Têm um menu completo, mas também menu de petiscos para quem queira apenas picar enquanto assiste ao espectáculo.

– Dux Taberna Urbana – Restaurante de petiscos deliciosos e altamente gulosos. Vão ter mesmo, mesmo de provar a tempura de frango. É de comer e chorar por mais!

– O Açude – Um restaurante de boa comida portuguesa à moda antiga, e com uma ótima seleção de vinhos. Até saímos de lá meio tortos. Adorámos a carne tenra e mal passada e as sobremesas caseiras e originais!

– Terraço do Hotel Oslo – O local ideal para uns snacks muito leves enquanto se aprecia uma vista soberba sobre a Alta de Coimbra.

Onde Dormir quando visitar Coimbra

– Coimbra Vintage Lofts

Os Vintage Lofts de Coimbra fogem ao conceito tradicional de hotel e são uma ótima opção para visitar Coimbra. São pequenos apartamentos instalados num edifício do século XVIII, totalmente remodelado num estilo vintage revivalista.

Decorado com capas de revistas de moda das décadas de 50, 60 e 70 do século XX e peças de mobília de design vintage, a decoração faz-nos recuar à antiga fábrica têxtil que funcionou aqui ao longo do século XX.

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Os apartamentos são muito confortáveis, especialmente para quem fique estadias mais longas e queira algum espaço num ambiente familiar. Estão equipados de uma pequena cozinha (fogão, micro-ondas, lava-loiça e frigorífico), sofá e televisão, quarto e casa-de-banho.

 

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Para fazer o check-in nos Vintage Lofts, temos de nos dirigir à recepção do Hotel Oslo, mesmo ao lado. Lá, é-nos fornecido um código para entrarmos num dos apartamentos. O pequeno-almoço não está incluído na tarifa base, mas pode ser pedido, e servido no último andar do Hotel Oslo (que tem uma vista panorâmica sobra a cidade).

Localizado na Baixa de Coimbra, daqui é possível ir a pé para praticamente todos os locais de interesse de Coimbra, sem precisar de automóvel. Existem apartamentos (até 4 pessoas), lofts (até 3 pessoas) e estúdios (até 3 pessoas). Nós ficámos num estúdio.

Uma noite nos Vintage Lofts custa a partir de 54€ por noite, sem pequeno-almoço. Poderão reservar aqui.

– Riversuites Coimbra

Na segunda noite, ficámos hospedados no hotel Riversuites. Com uma localização privilegiada junto ao rio Mondego e ao convento de Santa Clara-a-Velha, este alojamento é uma boa opção para quem prefere um tipo de alojamento mais tradicional.

Com tudo o que é esperado num hotel, o quarto era espaçoso e confortável, com wi-fi, ar condicionado, televisão e casa de banho privada. E da janela conseguíamos avistar o rio Mondego.

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Localizado na zona de Santa Clara, daqui dá para ir ao Portugal dos Pequenitos, ao Convento de Santa Clara-a-Velha e à Quinta das Lágrimas a pé. A baixa da cidade fica a 15 minutos a pé e é um belo passeio que se pode fazer a partir do Hotel.

O pequeno almoço é servido na cave do hotel, onde existe uma pequena varanda. É simples, mas tem tudo a que temos direito: café, leite, sumos, cereais, pão fresco, fruta e ovos mexidos.

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E tudo por um preço amigável. Uma noite num quarto duplo no Hotel Riversuites custa a partir de 49€, com pequeno almoço incluído. Poderão reservar aqui.

Gostaram do artigo sobre visitar Coimbra? Eu também, só fiquei com pena de ficar com tanto por conhecer! Acompanhem o Contramapa no Facebook para ficarem a par das novidades.

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

6 replies
  1. Sara Cruz
    Sara Cruz says:

    O atalho do google maps realmente não vos poupou as pernas, e enviou-vos pelo pior sítio para se subir até à Alta. Há formas muito fáceis e nada cansativas de subir 🙂 para a próxima, é fazerem uma visita guiada (fica o convite)! Ficou muito por descobrir, mas fizeram boas escolhas! Fiquei surpreendida pela negativa com a vossa “avaliação” a Santa Cruz… creio que talvez não tivessem reparado na grandiosidade da Igreja, e parece-me que perderam uma ida aos claustros! E outra coisa… a Casa Medieval de Coimbra passou-vos ao lado: faltou também aventurarem-se pela Baixa da cidade, pelas ruas estreitas e apreciar as fachadas dos edifícios, que tantas histórias têm para contar.
    Boa escrita, e continuação de bons passeios!

    Responder
    • contramapa
      contramapa says:

      Olá Sara, bem-vinda ao Contramapa!
      Aquelas escadas foram o desafio do fim-de-semana, tive de parar 5 minutos quando cheguei lá acima…
      Em relação à igreja de Santa Cruz, não fomos aos claustros, terá de ficar para uma próxima vez, tal como a visita guiada. 🙂 A igreja é grandiosa de fora, mas o que achei foi que o interior estava pouco cuidado…
      Obrigada pelo comentário 🙂

      Responder
  2. Cátia Barbosa
    Cátia Barbosa says:

    Olá Diana em primeiro lugar está um excelente artigo gostei muito mesmo!
    Eu sou de Coimbra e estudo na Universidade!
    Ando à procura de pessoas que tenham visitado a cidade para preencher um questionário para a minha tese de Mestrado.
    Ficaria muito grata e claro espero que voltes a Coimbra!

    Responder
  3. Diego
    Diego says:

    Oi Diana, boa noite, no mes de maio vou visitar Coimbra ficando là uma noite, que dia da semana è o melhor para visitar Coimbra?
    obrigado
    diego

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