Como muito provavelmente intuíram pelo título do post, Washington D.C. não foi o meu sítio preferido nos Estados Unidos. Pois é. Em primeiro lugar, depois de 4 dias em Nova Iorque, uma pessoa não se apaixona facilmente por outra cidade. Em segundo lugar, a minha expectativa foi um pouco diferente da realidade que vivi…

Antes de pôr os pés em Washington D.C., imaginava uma cidade com aura de cultura, planeada para o conhecimento, cheia de museus e espaços ao ar livre. A verdade é que os museus estão lá. Os parques também. Mas a cultura de Washington D.C. nada tem a ver com a de Nova Iorque ou Chicago, que transpira arte e liberdade. Ao contrário daquelas cidades, em D.C. há qualquer coisa que me sussurra ao ouvido: “propaganda”.washington dc

A verdade é que a cidade é palco de contradições, que são um espelho dos próprios Estados Unidos. Sim, Washington D.C. é uma cidade de muitos museus, mas os dois que eu visitei têm alas inteiras em que a idolatração da guerra transparece, quer seja através da aviação militar, quer seja através da cronologia histórica dos eventos. Depois, os muitos parques-memoriais, mesmo ali ao lado, fazem um elogio à paz, recordando-nos de todas as desgraças que aconteceram no passado e que não poderão voltar a repetir-se.

Contraditório, não é? Muito à semelhança do próprio país, fundado sob a égide da liberdade, igualdade e auto-determinação, mas que no fundo assume uma política imperialista e atua como polícia do mundo.

washington dc principios fundadores eua

Deixando as considerações políticas de lado, comecemos pelo princípio destes dois dias em Washington D.C.

Depois tomado o pequeno-almoço no West Wing Café (gostámos tanto dos bagels com salmão e cream cheese que repetimos a dose no segundo dia na cidade), fomos em busca da cultura.

west wing cafe washington dc

Em D.C., a cultura está concentrada no National Mall, que é um parque ladeado de museus e memoriais de entrada gratuita. No topo de uma das colinas ergue-se o capitólio. Na outra o Lincoln Memorial. Basicamente, passámos 2 dias a percorrer o National Mall, a visitar os museus e memoriais que achámos mais interessantes.

1. A nossa primeira paragem foi na Library of Congress, a segunda maior biblioteca do mundo e repositório de milhões de documentos, como livros, jornais, tablaturas, arte gráfica, discos, filmes e mapas.

Guardião de documentos históricos, a Library of Congress é composta por vários edifícios e guarda, por exemplo, uma das primeiras bíblias de Gutenberg e a Declaração da Independência dos Estados Unidos.

Este foi um dos edifícios que mais gostei de visitar, até porque também havia uma exposição temporária acerca dos índios americanos. O edifício é toda uma celebração da cultura, com nomes de célebres artistas e escritores na cúpula.

library of congress

library of congress

library of congress

2. De seguida, fomos ao Capitólio, o centro legislativo dos Estados Unidos onde o Congresso se reune (Senado e Câmara dos Representantes). Além do edifício por si, a visita vale pela exposição no interior, que explica como funciona o poder legislativo nos Estados Unidos e como este evoluiu ao longo dos anos. E claro que existe todo um aparato de segurança para entrar… imaginem que nem uma garrafa de água pude levar.

3. A nossa terceira paragem foi no Jardim Botânico que mostra um representação da flora mundial em diferentes estufas.

jardim botanico washington dc

4. Depois de almoço, fomos ao Smithsonian’s National Air and Space Museum. O museu tem algumas salas dedicadas à história e ciência da aviação, onde podemos fazer experiências relacionadas com a Física. Outra parte do museu está relacionada com a história militar dos Estados Unidos, que impulsionou o desenvolvimento da aviação. Finalmente, a última parte do museu dedica-se à exploração do espaço e à construção da estação espacial.

art and space museum washington dc

air and space museum washington

5. Passámos pela Casa Branca, também com um grande aparato de segurança. Aqui, não pudemos entrar já que não tínhamos feito uma marcação, que é obrigatório. Saibam aqui como fazer.

casa branca washington dc

6. No segundo dia começámos pelo National Museum of American History. E, tal como no Air and Space Museum, o papel da guerra em destaque. A primeira sala do museu é enorme e dá-nos as boas-vindas com a frase ‘The Price of Freedom‘. E o preço da liberdade é a guerra, claro.

A exposição faz-nos reviver os confrontos levados a cabo pelos Estados Unidos, desde a Guerra da Independência, à Guerra Mexicano-Americana (vejam abaixo como o México perdeu metade do território), Guerras Mundiais, Guerra do Vietname…

Cessação de 1848 México Estados Unidos

Cessação de 1848: estão a ver a parte branca? É o que era do México e agora pertence aos EUA…

O engraçado neste museu é que quando há um período temporal sem guerra, é como se não houvesse História. O museu tem outras salas menos orientadas para a guerra, mas esta grande entrada no museu foi para mim um símbolo das contradições da cultura norte-americana e de Washington D.C.

museu de historia mericana washington dc

7. Depois dos museus, fomos visitar os memoriais: Thomas Jefferson, Franklin D. Roosevelt, Abraham Lincoln e Martin Luther King Jr. Em contraste com o espectáculo de guerra dos museus, os memoriais são um elogio à igualdade, à paz e à liberdade, com frases bonitinhas esculpidas na pedra que nos dizem que a paz é o caminho…

roosevelt memorial washington dc

martin luther king memorial washington dc

abraham lincoln memorial washington dc

abraham lincoln memorial

O meu preferido? Sem dúvida, o Lincoln Memorial. Pelo simbolismo histórico. Foi aqui, aos pés do (primeiro) libertador da escravatura, que Martin Luther King Jr. disse ter um sonho. Foi aqui que Luther King discursou em defesa dos direitos civis dos negros em palavras que viriam a fazer história e que o mundo todo veio a conhecer. Nunca viram o discurso todo? Aproveitem para fazê-lo. Eu fico sempre com lágrimas nos olhos (e não sou lamechas!)


À noite, colocámos um ponto final aos museus e aos memoriais e fugimos ao Tio Sam para conhecer outra realidade de D.C. Jantámos cachorros com chilli picante no Ben’s Chilli Bowl e descobrimos que o Obama também já tinha comido aqui. Depois, fomos ao Black Cat, um bar alternativo com sala de jogos e concertos. Foi pouco, mas serviu para mostrar que se calhar D.C não é só o National Mall…

E foi tempo de seguir caminho… Chicago estava à nossa espera.

ben's chilli bowl washington dc

black cat bar washington dc

Vejam os posts anterioresda viagem: Como é que Nova Iorque está organizada, Roteiro de 1 Mês nos Estados UnidosPosts de Nova Iorque.

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Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

10 replies
  1. Louise Carneiro
    Louise Carneiro says:

    Gostei muito, interessante o teu ponto de vista da cidade. O que me deixou apaixonada foi a tua foto do Jardim Botânico, acredito que seja um tipo de orquídea? Perfeita demais. Obrigada por dividir essa experiência! Bjs

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