Comecei o dia no Financial District, com chineses em grande número a tirarem fotografias à Bolsa de Nova Iorque, mas fugi rapidamente à Wall Street. É um marco para o capitalismo mundial, mas a verdade é que o local não tem muito interesse para visitar… existe tanta outra coisa para ver em Nova Iorque!

wall street

Apesar de tudo, o World Trade Center Memorial merece uma nota! No espaço onde deveriam estar as Torres Gémeas encontra-se agora uma fonte que, em vez de correr para cima, corre para baixo, para um buraco no vazio, como o vácuo que ficou depois de milhares de pessoas terem desaparecido. A água – como a vida – corre para baixo e deixamos de a ver…

world trade center memorial

ChinaTown, por outro lado, é um bairro muito mais interessante. Uma cidade dentro duma cidade, que expandiu a partir de Canal Street, uma das ruas mais conhecidas de Nova Iorque. A comunidade chinesa tem jornais próprios, sinais de trânsito em mandarim, e um parque em perfeito domingo chinês: praticantes de kung-fu e tai chi, música tradicional chinesa, apostas, etc.

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Claro que a experiência chinesa não estaria completa sem a gastronomia. Encontrei o Nom Wah Tea Parlour, um restaurante até já recebeu alguns prémios e tem saído nas notícias. E com razão! O Nom Wah é especializado em dim sum, os petiscos chineses. Fundado em 1920, tem um ambiente bastante eclético, com chineses, nova-iorquinos e alguns turistas (tipo, eu!) como clientes. Mas o melhor de tudo foi mesmo a comida. Desde os dumplings, aos crepes e a muitas outras coisas cujo nome eu não me lembro.  nom wah tea parlour chinatown new york dim sum nom wah tea parlour chinatown new york dim sum

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Depois de bem alimentada, passei por Little Italy, o bairro de imigrantes e descendentes de italianos em Manhatan. No entanto, esta já não é a Little Italy dos Sopranos. Metade do bairro tornou-se uma continuação de ChinaTown e a outra metade apenas tem restaurantes italianos para turistas que de italiano têm muito pouco…

Acontece que os italianos deste bairro começaram a desaparecer ainda nos anos 60 quando SoHo e Nolita começaram a crescer e a tornar os preços das casas mais elevados. Os descendentes de italianos dispersaram na cidade e hoje em dia simplesmente já não existem ondas de imigrantes vindos de Itália, como aconteceu na primeira parte do século XX. Os Censos de 2011 em Nova Iorque já não registaram um único residente de Little Italy nascido em Itália!

little italy manhattan

little italy new york

Little Italy? Que Little Italy?

Passando por Nolita e pelo SoHo, fui dar a Greenwich Village, um bairro que albergou a cultura beat dos anos 50’s e, mais tarde, a contra-cultura dos anos 60’s. Aqui viveram Mark Twain, Thomas Wolfe, Walt Whitman, Salvador Dalí, Jackson Pollock, Andy Warhol, entre outros artistas.

Era aqui que Bob Dylan tocava quando chegou a Nova Iorque (vejam o vídeo abaixo) e Greenwich foi também o palco do movimento Off Off Broadway, um movimento de teatro alternativo que se demarcou do teatro comercial. Hoje o bairro tornou-se aburguesado e está no top dos mais caros nos Estados Unidos.

Um dos sítios mais emblemáticos de Greenwich Village é o Washington Square Park, que foi um lugar de encontro para músicos de folk e beatniks, com música com ar livre. O espaço ainda tem alguma dessa vibe e existem muitos artistas de rua no parque. Quanto a nós, o Z. foi desafiado para jogar jogar xadrez!

washington square park chess players

Entretanto chegou o pôr-do-sol e foi altura para outra vista panorâmica. Desta vez, o Empire State Building. Mais alto que o Top of the Rock, e muito mais gente. Espremida entre as centenas de outras pessoas, lá consegui tirar uma ou outra fotografia.

empire state building view

Voltando a Greenwich Village, jantámos na zona de Bleecker Street, que tem bastantes restaurantes e vida nocturna. Primeiro fomos ao Blind Tiger comer umas Buffalo Wings. Afinal os Estados Unidos até têm pratos típicos e, adivinhem, são todos gulosos. Estas eram muito saborosas mas perigosamente picantes. Mesmo ao lado, havia a Bleecker Street Pizza, com pizzas caseiras e a qualquer hora – dias de semana até às 2h, quinta, sexta e sábado até mais tarde. Mesmo ao lado, para a sobremesa, havia o Cones Ice Cream Artisan com gelados artesanais. Refeição completa!

buffalo wings blind tiger

Para terminar a noite, fomos ao Comedy Cellar, que é, para aí, o bar de comediantes mais conhecido no mundo. Muitos dos grandes começaram aqui, e todos lá passaram. O ambiente intimista de tijolo é facilmente reconhecível de séries como Seinfeld e Louie. Os comediantes regulares de hoje em dia incluem Louis C.K., Dave Chappelle, Darrell Hammond, Amy Shumer ou Dave Attell (sendo que este último foi o cabeça de cartaz na noite em que fui).

Claro que o espaço é muito concorrido e, se quiserem ir a um espectáculo, reservem com antecedência. Nós assistimos a uma performance de 6 comediantes e ainda tivemos a sorte de tirar uma fotografia com o anfitrião da noite!

Vejam o Roteiro de 1 mês nos EUA e o o Dia #4 da US Roadtrip.

Comedy Cellar


Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

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