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Tour de Arquitetura em Chicago

Adorei Chicago e uma boa parte desta experiência deveu-se à arquitetura da cidade. A natureza, materializada no lago, no rio e nos parques, está em harmonia com o cosmopolita, ou seja, os arranha-céus, o metropolitano e os magotes de pessoas. E, acreditem, numa cidade com quase 3 milhões de habitantes, este equilíbrio é difícil de conseguir!

Ora, na minha humilde opinião, este sentimento de harmonia não seria possível sem um planeamento cuidado da cidade, e é por isso que venho falar da Arquitetura de Chicago hoje, numa espécie de tour virtual pela cidade.

Eventually, I think Chicago will be the most beautiful great city left in the world.

Frank Lloyd Wright

A Escola de Chicago

Depois do grande fogo de Chicago que destruiu o centro da cidade (o chamado Financial District) no final do século XIX (de que falei aqui), houve uma grande urgência para voltar a pôr a cidade de pé e fazê-la renascer das cinzas.

Os arquitetos que reconstruíram esta parte da cidade no virar para o século XX, ficaram conhecidos como pertencentes à Escola de Chicago, ou Estilo Comercial. Fugiram a 7 pés dos materiais em madeira  (altamente inflamáveis, não é?) e esforçaram-se por utilizar novas tecnologias de engenharia civil, como painéis de vidro, estruturas de metal e revestimentos em tijolo. E criaram os primeiros arranha-céus que o mundo conheceu.

Aliás, o Home Insurance Building, de 1884, é considerado o primeiro arranha-céus do mundo, com uma modesta altura de 42 metros e com uma estrutura interior em metal. Mas estávamos numa altura de rápida evolução da engenharia civil e o edifício só viria a deter este título por 5 anos, vindo a ser demolido em 1931.

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Home Insurance Building

O edifício foi desenhado por William Lebaron Jenney, um dos fundadores dos arranha-céus. Este arquiteto construiu também o Ludington Building, o edifício mais antigo com estrutura de metal que sobreviveu até aos dias de hoje. Construído em 1892, fica na 1104 South Wabash Avenue. Pertence hoje à Columbia College Chicago, alojando o Center for Book and Paper Arts, recebendo exposições temporárias que podem ser visitadas por todos. Consultem aqui as exposições feitas no edifício.

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Ludington Building

É também da autoria deste arquiteto o Manhattan Building, o arranha-céus mais antigo do mundo que utiliza apenas uma estrutura de metal para o suportar. Com as janelas em arco e utilizando granito nos andares inferiores, é um edifício fácil de identificar. Construído em 1888, fica na 431 S Dearborn Street e trata-se de um condomínio residencial.

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Manhattan Building

Mas existem muitos outros arquitetos e edifícios ligados à Escola de Chicago.

Por exemplo, é impossível falar da arquitetura de Chicago sem falar de Louis Sullivan, um dos arquitetos norte-americanos mais conhecidos e reconhecido pela frase ‘a forma segue a função‘. Tendo construído muitos edifícios nos Estados Unidos, em Chicago as suas principais obras ainda estão de pé.

O Auditorium Building, construído com o seu parceiro do escritório Adler & Sullivan, Dankmar Adler, é uma das suas obras mais conhecidas e ainda hoje está em funcionamento e recebe bailados. Pode ser visitado às segundas e quintas-feiras e os bilhetes para uma tour podem ser comprados online aqui. Fica na  50 E Congress Parkway.

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Detalhe do Auditorium Building, em Chicago

Sullivan Center, outro edifício de Louis Sullivan, é hoje um centro comercial, com lojas como a Carhartt, e tem uma das entradas mais reconhecidas na cidade. Fica na 1 S State Street.

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Entrada do The Sullivan Center

Como podem já ter reparado, a Escola de Chicago tem edifícios inspirados noutros estilos. Existem muitos com influência neoclássica (em forma de coluna) que, por isso, se assemelham a colunas com o topo mais largo, à semelhança de um capitel. Estes são os edifícios mais tradicionais, como é o caso do Chicago Building. Este fica na 7 W Madison Street.

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Chicago Building

O Rookery Building, dos arquitetos John Wellborn Root e Daniel Burham, é considerado a obra-prima destes arquitetos. Com 55 metros de altura, foi construído em 1886 e a entrada principal remodelada por Frank Lloyd Wright em 1905. O edifício é privado e é normalmente alugado para eventos. Se quiserem vê-lo por dentro, aparece nos filmes Sozinho em Casa 2 (é a loja Duncan’s Toy Chest) e n’Os Intocáveis (Esquadra de Polícia). Fica na 209 S La Salle Street.

Tour Arquitetura Chicago

A entrada principal de Rookery Building, de Frank Lloyd Wright

Ainda no período da Escola de Chicago, existe o Fisher Building (estrutura original e Charles Atwood), de 1896. Num estilo de neo-gótico, é possível ver na fachada várias criaturas, como águias e dragões. É um edifício residencial, mas existem algumas lojas e escritórios nos primeiros dois andares, que podem ser visitados. Fica na 343 S Dearborn Street.

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Fachada do Fisher Building, em Chicago

Prairie School

Em oposição aos arranha-céus que se erguiam no centro de Chicago, existiu na mesma época um estilo que valorizava o oposto: as formas mais horizontais, em harmonia com a natureza e o meio envolvente. Este movimento, contrário às linhas verticais dos edifícios do Financial District, surgiu em Chicago, e rapidamente influenciou arquitetos e engenheiros nos Estados Unidos e noutros países ocidentais.

O arquiteto mais conhecido que fez parte deste movimento foi, claro, o seu fundador, Frank Lloyd Wright. Inicialmente muito próximo da Escola de Chicago e pertencendo ao escritório de Adler & Sullivan, Lloyd Wright acabou por se afastar, criando o seu próprio estilo. E, nos entretantos, tornando-se, talvez, o arquiteto mais famoso de que há memória.

Muitas das suas construções podem ser vistas na área de Chicago, fora do centro, num estilo que defendia uma construção orgânica, com formas sólidas e poucos ornamentos.

Dentro do perímetro da cidade, a Villa District é o bairro com mais edifícios neste estilo, sendo que as casas foram construídas por arquitectos influenciados pela Prairie School.

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Casa no bairro de Villa District

Por toda a cidade e, especialmente na periferia, existem muitas construções de Frank Lloyd Wright.

Robie House é talvez o edifício mais conhecido da Prairie School dentro da cidade de Chicago e fica na Universidade de Chicago, na 5757 South Woodlawn Avenue.

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Detalhe: Robie House

Construída em 1909 para um jovem casal, tornou-se um símbolo deste estilo arquitectónico, fazendo parte do Frank Lloyd Wright Trust e podendo ser visitada. Se gostam de arquitetura, não podem deixar de visitar esta cada. Saibam como aqui.

Se estão interessados em Frank Lloyd Wright, podem fazer uma tour por um dos edifícios do arquiteto, promovidas pelo seu fundo. Vejam aqui. Os edifícios mais emblemáticos podem também ser vistos e localizados neste mapa interativo.

A segunda Escola de Chicago

A partir dos anos 40 do século XX, surgiu uma Segunda Escola de Chicago, impulsionada pelo trabalho do arquiteto Ludwig Mies van der Rohe. A primeira expressão desde estilo foi os Lake Shore Drive Apartments, um condomínio construído em metal e painéis de vidro, num estilo brilhante e moderno. Ficam na  880 N Lake Shore Drive.

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Lake Shore Drive Apartments

Esta segunda vaga da Escola de Chicago ganhou maior expressão nos anos 60, com os projetos de Fazlur Khan. Este engenheiro do Bangladesh descobriu uma forma de os arranha-céus fazerem roçar as nuvens… Através de estruturas cruzadas em metal e ocas por dentro, foi possível construir edifícios mais leves e equilibrados, sem a necessidade de colunas interiores.

O primeiro edifício que teve esta estrutura “em tubo” foi o Plaza on DeWitt, em Chicago, com 120 metros e 407 apartamentos residenciais.

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Plaza on DeWitt

Hoje em dia, a maioria dos arranha-céus no mundo são construídos com este técnica. A Willis Tower, construída com a colaboração de Fazlur Khan, é o exemplo mais claro. Construído desta forma, tem 442 metros de altura e foi o edifício mais alto do mundo durante décadas (entre 1974 e 1998). Ainda hoje é o arranha-céus mais alto de Chicago.

Vale a pensa uma visita, nem que seja para pisar a plataforma em vidro e sentirmos o vazio por baixo dos nossos pés (como eu fiz). Saibam como comprar os bilhetes aqui.

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Willis Tower

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Do mesmo engenheiro é o edifício John Hancock Center, com 344 metros de altura. Sendo o quarto edifício mais alto de Chicago, tem um restaurante no interior, com vista para toda a cidade e para o Lago Michigan.

O Observatório 360º deste edifício é o único ao ar livre na cidade e as filas para entrar são bem menores que na Willis Tower. Podem comprar aqui os vossos bilhetes, se quiserem visitar.

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John Hancock Center

Resumo: Os edifícios mais emblemáticos de Chicago

Para vos orientar numa visita à cidade, abaixo segue o mapa com a localização de cada um dos edifícios que referi, para ajudar a vossa tour de arquitetura por Chicago.

Os edifícios estão listados por ordem de aparecimento no post. A Villa District e a Robie House não aparecem por se encontrarem fora do centro de Chicago.

Se gostaram desta tour pela arquitetura de Chicago, podem seguir o Contramapa na página do Facebook. Se continuam interessados nesta cidade, podem ler a minha experiência na cidade, com mais algumas dicas e histórias de interesse. Leiam também o Roteiro de 1 mês nos EUA.

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

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CONTRAMAPA

4 comentários
  1. Roadrunner
    Roadrunner says:

    Desde os meus tempos de gangster que fiquei sempre com um fraquinho por Chicago…

    De facto, quando ouço fala de Chicago, vem-me logo à cabeça o Al Capone e os blues…, ah e os Chicago Bulls!

    Saudações Caponianas!

    Responder
    • Diana
      Diana says:

      Eu fiquei muito fã de Chicago, especialmente depois de conhecer. É uma grande cidade onde se pode viver, com espaços abertos, em que não nos sentimos claustrofóbicos. No inverno, pode ser outra história, com frio… 😛

      Responder

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