Quando decidi ir a Chicago nesta viagem, muitas pessoas me perguntaram porquê. Tinham a imagem de uma cidade cinzenta e fria, rodeada de prédios e com pouco para fazer. Eu própria cheguei a pôr em causa a ida a Chicago, até porque ficava fora de caminho e implicou apanhar dois voos internos nos Estados Unidos.

chicago cidade

Mas ainda bem que não mudei de ideias. Chicago foi uma das minhas cidades preferidas nos Estados Unidos. Tem arranha-céus e um aspecto muito moderno, mas não é claustrofóbica. Tem luz e espaços abertos, é banhada pelo lago Michigan e percorrida pelo rio Chicago. É uma cidade super limpa, organizada e plana, onde existem muitos ciclistas. Tem uma praia em plena cidade, muitos pontos de interesse culturais e coisas a acontecer. Sim, é uma cidade fria no inverno e ventosa durante todo o ano, mas nós fomos no pico no verão e Chicago apaixonou-nos… Foram só dois dias, mas, por mim, teria ficado uma semana.

DSC02006

No primeiro dia, acordámos cedo e apanhámos o metro, outro elemento que dá carácter à cidade. É apelidado de Chicago L, por estar elevado à superfície e, por esta razão, Chicago é uma cidade percorrida por vigas de metal enferrujado. O metro é de orientação relativamente simples, com todas as linhas a convergirem para o centro da cidade, onde existe um Loop: aqui o metro torna-se circular e podemos trocar para qualquer outra linha.

Ora bem, chegados ao centro de Chicago, a primeira paragem foi no Art Institute of Chicago. Este é um museu ao estilo do MET (Metropolitan Museum of Art) em Nova Iorque, com uma coleção completa em termos históricos: as peças de arte vão desde o greco-romano à arte contemporânea. Lá está, um museu que é preciso ir com tempo, até porque tem muitas obras que vamos querer ver com atenção. Entre quadros do Picasso e do Jacques Braques, encontrámos telas do Amadeo de Souza-Cardoso… e um esboço do Eduardo Souto Moura, ou não fosse Chicago a cidade da arquitetura!

art institute of chicago

Eu e o Amadeo. Muito amigos.

Nighthawks Edward Hopper

Nighthawks de Edward Hopper – um dos muitos preferidos que estão no museu.

Depois, fizemos a pé a Magnificent Mile, que é uma parte da Michigan Avenue, que vai desde o rio Chicago até ao cruzamento com a Oak Street. Nesta parte da avenida, existem vários arranha-céus, hotéis, restaurantes e lojas de luxo, como a Cartier, Louis Vuitton e Marc Jacobs. Estão a ver a ideia não é?

Uma bela caminhada, especialmente porque parámos no Millenium Park, junto ao Art Institute of Chicago. Construído no telhado de uma estação de comboios, é composto por vários espaços públicos e obras de street art, como o Jay Pritzker Pavilion, que recebe eventos musicais como o Chicago Gospel Music Festival, o espelho Cloud Gate, e a Crown Fountain, uma cascata feita de LEDs.

millenium park cloud gate

No final da caminhada, almoçámos uma pizza à Chicago na Giordano’s. E o que raio é isso? Bem, é uma pizza para gordos. Tem massa grossa e alta, e é recheada de queijo no interior, sendo que o tomate é colocado por cima de tudo. Como se fosse uma pizza ao contrário, é tão alta que parece mais uma tarte. Resultado? Serviu-nos de almoço e de jantar.

Giordiano's pizza

Giordiano's pizza

Digam lá se este miminho não é para gordos?!

Depois deste almoço fatal, conseguimos não cair para o lado, e fomos à Chicago Music Exchange, uma das lojas de guitarra mais conhecidas nos Estados Unidos. Com muitos instrumentos vintage, ainda conseguimos tocar numa Les Paul de 1952. Coisinha para custar uns bons milhares de euros…

guitarras

Baseball: o desporto americano

A última paragem do dia foi no Wrigley Field, o estádio de baseball dos Chicago Cubs, a equipa mítica de Chicago. Este foi o meu primeiro contacto com o desporto querido dos norte-americanos. É um desporto relativamente simples (consegui perceber algumas regras durante o jogo), mas um bocado parado.

Mas o que interessa num jogo de baseball vai muito além do jogo. São os anúncios luminosos que passam no estádio, os famosos que são chamados ao estádio durante os intervalos (a nós calhou-nos um militar que, aos olhos dos americanos, é uma estrela), os cachorros, as cervejas e o convívio.

wringly field chicago

Ao contrário do encontro semanal no futebol, os jogos de baseball acontecem vários dias ao longo da semana e os bilhetes são puxadotes – um bilhete dos mais baratos custou-me 45€. Portanto, considerando as grandes diferenças sociais que ainda existem nos Estados Unidos, não me admirou muito que quase toda a audiência fosse branca…

Ainda assim, vale a pena ter a experiência americana no estádio e aprender um pouco acerca do desporto.

O baseball surgiu ainda no século XVIII nos Estados Unidos, mas foi durante e após a guerra civil norte-americana (século XIX) que o desporto se tornou popular e uniforme no país. Em 1867, já havia mais de 400 equipas inscritas na liga nacional. Em 1870, os Chicago Stockings Club ganharam o campeonato: hoje são chamam-se Chicago Cubs e são reconhecidos como a equipa de baseball profissional mais antiga .

wrigley field chicago

Hoje em dia, as principais ligas de baseball nos Estados Unidos e Canadá são a American League (fundada em 1901) e a National League (1876). Estas são as duas principais ligas onde as equipas estão integradas e cada equipa apenas pode integrar uma das ligas.

Existem também jogos Interleague Plays entre as equipas das duas ligas, que não contam para a pontuação final das equipas. Os vencedores anuais de cada uma das ligas encontram-se numa final: a World Series.

Nós decidimos ir ver os Chicago Cubs por serem precisamente um dos clubes com mais história. Pertencem à National League, apesar de não ganharem a liga desde 1945. O Wrigley Field é a casa dos Cubs, construída em 1914.

É conhecido por estar rodeado de heras, cujo crescimento pode ser observado ao longo da temporada. Muitas bolas acabam por perder-se na vegetação e nessas alturas o jogo tem de ser parado… Outra das características do estádio (e de toda a cidade) é o vento. Aqui, em abril e maio, acontecem os jogos mais imprevisíveis, fruto das fortes rajadas de vento.

Mais imprevisível que o vento, só mesmo a duração do jogo. Os jogos demoram o tempo que for necessário para o resultado ficar fechado em termos de pontos. Não me perguntem exatamente o que isso quer dizer, mas nós ficámos 3 horas no estádio e não conseguimos assistir ao final do jogo!

E foi assim o primeiro dia em Chicago.Gostaram da publicação? Vejam os outros posts da US Roadtrip 2015.

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

15 replies
  1. Letícia
    Letícia says:

    Que legal parece ter sido!!! Eu acho Chicago muito legal, acho que acabei gostando devido algumas séries que assistia/assisto, mas ainda não tive a oportunidade de conhecer! :~
    As fotografias ficarem ótimas
    Beijo

    Responder

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