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Visitar a Sintra romântica: De Palácio em Palácio

Há quanto tempo não vão visitar Sintra? Foi num belo dia de inverno que me coloquei esta questão e me apercebi que havia anos que não punha lá os pés. E foi ainda com mais espanto que, ao pesquisar o que haveria para visitar, me dei conta que apenas tinha entrado na Quinta da Regaleira. Isto não podia ser.

Arrumei as trouxas e tornei-me turista durante um fim-de-semana em Sintra, com direito a pernoita e tudo. Fiquei no hotel de charme Águamel Sintra, que se tornou num dos meus alojamentos preferidos (leiam abaixo). Visitei palácios e mais palácios e, depois de dois dias completos pela região, cheguei à conclusão que, houvera tempo, muito mais poderia ter visto e feito. Não fosse Sintra Património Mundial da UNESCO desde 1992 pela sua paisagem cultural e um dos locais mais românticos da região.

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Um mundo mágico na Quinta da Regaleira

Rumámos a Sintra sábado bem cedinho para aproveitar o sol de inverno da manhã. Apesar de eu já ter visitado a Quinta da Regaleira, há sempre mais coisas para descobrir, ou não tivesse a quinta uma área superior a 4 hectares. Construída por um burguês rico no início do século XX, a Quinta da Regaleira é fruto dos gostos requintados de António Monteiro, um comerciante que fez fortuna no Brasil e quis construir em Sintra um espaço exuberante, que reflectisse o seu gosto pessoal.

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Além do palácio num estilo neomanuelino, a quinta é composta por jardins, grutas, lagos exóticos e por algumas construções que muitos atribuem um significado alquímico, associado à maçonaria e aos templários. É o caso do Poço Iniciático, uma torre subterrânea com uma escadaria em espiral. Com 9 patamares separados por escadarias de 15 degraus, faz uma alusão à Divina Comédia, já que os 9 patamares representam os 9 círculos do Inferno, do Paraíso e do Purgatório visitados por Dante.

Este é um lugar que dá arrepios ao entrar, especialmente se entrarem por baixo, pela gruta subterrânea que vem do Portal dos Guardiães (imagem abaixo). Saber que aqui eram conduzidos rituais de iniciação à maçonaria só acentua os calafrios…

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O Lago das Cascatas é outro dos pontos obrigatórios dentro da Quinta da Regaleira. Chegámos a ele através de uma gruta do Poço Iniciático e, para sair, saltámos de pedra em pedra pelo lago. Logo a seguir, há a Torre da Regaleira, de onde podemos avistar dois outros monumentos emblemáticos se Sintra: o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros.

À saída da Quinta, passámos ainda pelo Patamar dos Deuses, onde se encontram 9 estátuas de deuses greco-romanos que espelham outra das influências da arquitectura da Regaleira: o classicismo.

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Visitar Sintra: A Quinta da Regaleira está aberta de Outubro a Março das 9h30 às 18h00 e de Abril a Setembro das 9h30 às 20h00. A entrada normal custa 6 euros. A visita guiada tem um custo de 12 euros.

Lá no alto do Palácio da Pena

Depois de um almoço tardio, recuperámos energias e subimos até ao Palácio da Pena. Há vários percursos pedestres que sobem a serra desde o centro da vila até ao Palácio e demoram entre 30 e 45 minutos. Inicialmente era esse o nosso plano, mas como nos deu a preguiça acabámos por desistir da ideia.

Ao entrarmos nos jardins do Palácio e ao nos apercebermos da sua dimensão, chegámos à conclusão que, afinal, iríamos ter muito por onde caminhar. O parque, com mais de 200 hectares, engole os turistas que por aqui entram e é fácil sentir-nos isolados e ter um bocadinho da Pena só para nós. Andámos em busca das primeiras flores do ano e fomos encontrá-las no Jardim das Camélias.

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O ponto mais alto da serra de Sintra fica dentro do parque, na Cruz Alta. A 539 metros acima do nível do mar, daqui podemos ver não apenas o Palácio da Pena em toda a sua imponência, como também as praias da linha de Cascais, de Sintra, o rio Tejo e, mais ao longe, a Costa da Caparica. A melhor parte? É que quando chegámos lá acima não tivemos de partilhar com vivalma esta esplêndida vista.

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Ao nos aproximarmos, finalmente, do palácio, fomos recordando a sua história. Apesar de no reinado de D. João II ter existido aqui uma capela, foi apenas com D. Manuel I que aqui se construiu um convento. O edifício, feito de madeira, foi atingido por um raio e, posteriormente, afetado pelo terramoto de 1755, o que o deixou completamente em ruínas e abandonado.

Mais de 80 anos depois, D. Fernando II apaixonou-se pela paisagem da serra e adquiriu as ruínas do convento para aqui construir a sua residência de verão. Após a sua morte, o Palácio foi adquirido pela Coroa portuguesa e tornou-se uma das residências do rei D. Carlos e de D. Amélia. Depois do regicídio, a rainha D. Amélia continuou a viver aqui até ao seu exílio, a 5 de outubro de 1910, na data da implantação da primeira república portuguesa.

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Com traços bastante exóticos, esta é uma obra de arquitetura que cruza diferentes estilos e influências, como o gótico, o manuelino e o islâmico. Conhecido pela sua veia artística, D. Fernando II deu um toque muito pessoal ao palácio, sendo que o Pórtico do Tritão que encontramos à entrada é da sua autoria, representando a criação do mundo.

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Outro dos elementos que me fascinou no palácio foram os vitrais, principalmente o da Sala dos Veados e os da capela. D. Fernando II tinha também um gosto especial por estas peças e escolheu as melhores para decorar o Palácio. Atentem bem ao detalhe e à cor!

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Visitar Sintra: O Palácio da Pena está aberta de Outubro a Março das 10h00 às 18h00 e de Abril a Setembro das 10h00 às 20h00. A entrada normal no Palácio e no Parque custa 11,50 euros. A entrada apenas para o parque custa 7,50 euros.

De charrete até ao Palácio de Monserrate

Bom, se há que andar de charrete uma vez na vida, que seja em Sintra. Afinal de contas, estamos rodeados de palácios na zona de veraneio por excelência de aristocratas e monarcas. Que melhor sítio do que este para sermos tratadas que nem umas princesas?

Domingo de manhã o sr. Fernando fez as honras da casa e apresenta-nos o Pardal e o Fidalgo. O primeiro, já grisalho, é manso e tem poucas manias. O segundo é um jovem rebelde e não nos deixa sequer aproximar. Subimos para a charrete e lá saímos da vila, em direção à serra.

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Trinta minutos volvidos, chegámos ao Palácio de Monserrate, para aquela que viria a ser a grande surpresa do meu fim-de-semana. Os jardins desta propriedade são compostos por muitas espécies autóctones e conservam a essência da serra de Sintra, principalmente na periferia do palácio. É o exemplo dos altos carvalhos, dos freixos e dos salgueiros.

À medida que nos vamos aproximando do Palácio, encontramos espécies mais exóticas, como os nenúfares junto à cascata de Beckford, e as espécies do Jardim do Japão e do Jardim do México.

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Com uma forte influência oriental, o palácio foi a residência de verão do milionário britânico Francis Cook. Na sua construção, trabalharam aqui 2000 pessoas, 50 dos quais apenas dedicados à jardinagem. Mesmo depois da obra completa, Cook manteve 300 trabalhadores para tratar da casa e dos jardins.

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Visitar Sintra: O Palácio de Monserrate está aberta de Outubro a Março das 10h00 às 18h00 e de Abril a Setembro das 10h00 às 20h00. A entrada normal no Palácio e no Parque custa 7,50 euros.

O austero Palácio Nacional de Sintra

Depois de três palácios muito oníricos, visitamos da parte da tarde o Palácio Nacional de Sintra, muito mais sisudo, de linhas e cores sóbrias e sem qualquer jardim com espécies exóticas.

Com uma longa história, anterior, até, à fundação de Portugal, o Palácio foi intervencionado por diferentes monarcas ao longo dos séculos, até chegar aos dias de hoje.

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Destacam-se os painéis detalhadas, como os da Sala dos Cisnes e os da Sala dos Brasões. Este último é composto por uma cúpula ostensiva com o brasão das armas de D. Manuel I e de 72 das mais importantes famílias da nobreza na altura. O revestimento das paredes em azulejo azul nesta sala aumenta ainda mais a exuberância do salão.

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Visitar Sintra: O Palácio Nacional de Sintra está aberta de Outubro a Março das 9h30 às 17h30 e de Abril a Setembro das 9h30 às 19h00. A entrada normal custa 9 euros.

O que Comer ao visitar Sintra

Em Sintra, destacam-se o leitão de Negrais, a carne de porco à Mercês, o cabrito e a vitela assada. Há uma relação forte com o litoral e por aqui também se come bom peixe e bom marisco. Espreitem as minhas sugestões de restaurantes em Sintra, onde visitei o Tascantiga, o Bacalhau na Vila e a Romaria de Baco. São três restaurantes de petiscos, que mostram o que há de melhor na cozinha portuguesa.

A doçaria de Sintra é muito popular, principalmente pelas queijadas de Sintra e pelos travesseiros, que são vendidos por toda a vila. A Casa Piriquita é um dos locais mais populares e a pastelaria costuma fazer fila à porta.

Para relaxar um pouco, o Café Saudade e a Casa do Fauno são duas ótimas sugestões. O primeiro é um hino à resistência da portugalidade e é ótimo para a hora do chá. O segundo é um bar medieval que se inspira no misticismo de Sintra e é ideal para um copo depois de jantar.

Onde Dormir ao visitar Sintra: Águamel

Para aproveitar ao máximo durante o fim-de-semana, ficámos na guesthouse Águamel, localizada no centro histórico da vila. O espaço – romântico e intimista – condiz com Sintra e isso é dizer muito sobre um alojamento.

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Inspirado no hidromel que por aqui se produzia antes da construção do espaço, todos os quartos têm nome de flor, como quem quer atrair as abelhas para que produzam o seu mel. E, de facto, há pormenores muito doces neste alojamento que nos levaram a querer ficar aqui mais do que uma noite.

Pequeno e gerido de forma familiar, quem nos recebe no Águamel é o sr. Manuel, um dos proprietários. Também ele um viajante incurável, foi só depois de ter vivido em Angola, no Reino Unido e na Suiça, que decidiu regressar a Portugal e abrir este espaço. Dirige-nos ao nosso quarto duplo – o Jasmim – num dos pisos superiores. Espaçoso e com uma decoração moderna e amorosa, tem uma vista para a Fonte da Pipa, ao fundo. Os quartos superiores (imagem abaixo) são ainda mais espaçosos, e têm uma varanda com vista para Sintra e para a Quinta da Regaleira. Que luxo!

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No dia seguinte de manhã, sentimo-nos mesmo em casa por aqui. Existem apenas 5 quartos no alojamento, o que nos cria uma sensação de intimidade, ideal especialmente para quem viaja a dois. Apesar da dimensão pequena, existem todos os confortos e os hóspedes têm acesso a um pátio e à cozinha, caso queiram preparar as suas refeições. Há até um frigorífico comum de onde os hóspedes podem retirar bebidas livremente, que depois são pagas no checkout.

Ao descermos para o pequeno-almoço, descobrimos mais alguns encantos do Águamel: o cheiro a pão quente e croissants acabados de sair do forno, que são trazidos para a mesa pelo sr. Manuel. A cozinha é mesmo ali ao lado e ele vai fazendo os pedidos dos hóspedes na hora: ovos mexidos, torradas, café expresso. Tudo o que se quer quente, ele vai trazendo. Na mesa do pequeno-almoço há mais surpresas: queijadas de Sintra, bolo de canela caseiro, pão de cereais, vários tipos de queijo e fruta fresca (e tão doce).

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Deleitamo-nos com o banquete e à saída ainda nos perguntam se queríamos levar alguma coisa para o dia. “É que se anda muito nos palácios de Sintra”. Não duvido, mas como um pequeno-almoço assim, vamos reforçamos para subir a serra.

Uma noite num quarto duplo na guesthouse Águamel custa a partir de 70 euros, com pequeno-almoço incluindo. O alojamento fica localizado no centro histórico, junto à Fonte da Pipa, e é ideal para uma escapadinha romântica em que o casal queira visitar Sintra a pé. Conheçam aqui o espaço.

Como Chegar a Sintra

Visitar Sintra não é nada difícil em termos de transportes. A vila fica localizada a cerca de 30 minutos de carro do centro de Lisboa e a 3 horas do Porto. De transportes públicos, existem comboios regulares da CP – Comboios de Portugal de várias estações de Lisboa: Rossio, Oriente, Sete Rios, Entrecampos, Campolide, entre outras.

Ao chegar a Sintra, muitos dos pontos a visitar ficam dentro da vila e é possível ir a pé. Para os mais distantes, existe o serviço de autocarros da Scotturb. A carreira 434 passa no Palácio da Pena e no Castelo dos Mouros (3,10€ euros ida, 5,50€ ida e volta). A carreira 435 passa no Palácio de Monserrate, no Palácio de Seteais e na Quinta da Regaleira (1,10€ ida, 2,55€ ida e volta). Existem também cada vez mais tuk tuks em Sintra. Perguntámos o preço e o custo por viagem por pessoa era de 5€ no trajeto Sintra – Palácio da Pena.

O Contramapa visitou a região de Sintra a convite do Águamel, de forma a conhecer a vila. Se gostaste deste artigo, acompanha as novidades no Facebook ou no Instagram. Leiam também mais artigos sobre Escapadinhas.

 

 

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

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