Com cerca de meio milhão de habitantes, Edimburgo é a segunda cidade mais populosa da Escócia, depois de Glasgow. Com uma longa história, é conhecida por ser a Atenas do norte e alguns escoceses chamam-lhe Embro. Já tinha escrito o Roteiro de 4 dias em Edimburgo e hoje deixo-vos algumas curiosidades sobre  a cidade.

1 – Unicórnio: o símbolo da Escócia

Os mais atentos não vão deixar de reparar mal ponham os pés em Edimburgo na quantidade de unicórnios espalhados pela capital escocesa. Encontramo-los no palácio de Holyroodhouse, na universidade de St. Andrews, no castelo, na catedral de St. Giles e um pouco por todo o centro histórico.

Este animal mitológico está associado à Escócia há séculos e foi utilizado pela primeira vez no brasão de armas de William I, no século XII. É um símbolo de pureza e inocência, mas também de masculinidade e poder, representando também a luta pela independência que os escoceses travaram ao longo da história.

Aquando da unificação do Reino Unido (quando a Escócia se uniu à Inglaterra), o unicórnio passou a fazer parte do brasão de armas do país, a par do leão, o animal que representa a Inglaterra. O unicórnio é até celebrado num dia especial, já que a 9 de abril é o dia do unicórnio.

roteiro 4 dias em edimburgo

2 – Harry Potter: De Hogwards para Edimburgo

J. K. Rowling viveu em Edimburgo, onde escreveu grande parte da saga do Harry Potter. Em muitos dos cafés e bares do centro histórico, J. K. Rowling sentou-se e escreveu sobre a história do feiticeiro mais conhecido do mundo moderno. Não é pois de admirar que muitas ruelas, arcadas e edifícios nos façam lembrar o mundo mágico onde os muggles não podem entrar.

Há muitas lojas e souvenirs com alusão à saga de J. K. Rowling, mas a minha curiosidade preferida foi o túmulo de Thomas Riddell, no cemitério de Greyfriars Kirkyard.

No centro histórico podem também passar pelo Elephant House, café onde J. K. Rowling se sentava para escrever, ou pelas mãos da escritora que se encontram na City of Chambers.

3 – Greyfriars Bobby: o cão fiel

O vigilante noturno John Gray morreu em 1858 de tuberculose, mas foi o seu animal de estimação que não foi esquecido pela história. O seu cão passou os 14 anos seguintes junto ao túmulo do dono, em Greyfriars Kirk. Hoje, à porta do cemitério, há uma estátua que homenageia a lealdade do cão e já vários filmes foram inspirados no Greyfriars Bobby, como O Fiel Companheiro (2012), com a Diane Keaton e o Kevin Kline.

roteiro 4 dias edimburgo

4 – As galerias secretas de South Bridge

Há um submundo em Edimburgo, que se esconde dos olhares mais distraídos. As chamadas Edinburgh Vaults são 19 galerias subterrâneas criadas debaixo da South Bridge no final do século XVIII. Durante 30 anos estas caves foram utilizadas como lojas, ateliers, tabernas e armazéns, contudo, ao longo dos anos foram-se degradando.

Depois de serem abandonadas, tornaram-se um refúgio para os sem-abrigo e um local de crime: havia prostituição, jogo ilegal, destilarias ilegais e, segundo a lenda, era um local onde os assassinos escondiam os corpos das suas vítimas.

Hoje a lenda junta-se à realidade e há vários passeios turísticos que levam os visitantes a conhecer esta parte mais obscura da história da cidade.

5 – O planeamento urbano de New Town 

A zona de New Town é uma referência no planeamento urbano e um mundo à parte do centro histórico da cidade. Muito ao estilo do planeamento de Nova Iorque, no século XVIII foi desenhado um plano quadrangular num estilo neo-clássico com ruas amplas e espaçosas. A rua mais famosa desta região é a Princes Street, frente ao castelo da cidade.

Além de ser um desenvolvimento brutal do urbanismo da cidade, a criação de New Town marca a transição para os tempos modernos e o abandono da Old Town por parte das famílias mais ricas.

6 – Terra de escritores

A herança literária da Escócia é tremenda e Edimburgo é o epicentro cultural da região. Não é por acaso que foi considerada a primeira cidade literária pela UNESCO.

Walter Scott é o autor mais estimado pela cidade, tendo escrito romances clássicos como Rob Roy, Ivanhoe e The Abbot. Entre os escritores que viveram na cidade destacam-se Robert Louis Stevenson (que escreveu o clássico juvenil Ilha do Tesouro e o gótico O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde), Arthur Conan Doyle (criador do Sherlock Holmes), J. M. Barrie (criador de Peter Pan), Kenneth Grahama (que escreveu o Vento dos Salgueiros e influenciou J. K. Rowling) e, mais recentemente, Irvine Welsh (o criador de Trainspotting).

7 – A morte do amante de Mary

Muitos conhecem a Mary of Scotland (ou Mary Stuart), mas a história de David Rizzio é menos conhecida. O secretário privado da rainha era muito próximo dela e Lord Darnley, o marido, tornou-se bastante ciumento, ordenando o assassinato de Rizzio.

A 9 de março de 1566, enquanto Mary e David jantavam no palácio de Holyroodhouse (a sua residência oficial), um grupo de rebeldes imobilizou a guarda real e assassinou David à frente de Mary. Na altura, a rainha estava grávida de 6 meses (do futuro rei da Escócia e da união da Inglaterra e da Escócia) e diz-se que o verdadeiro pai é David Rizzio.

8 – Sede do parlamento escocês

Em 1707, com o Tratato de União, a Escócia deixou de ter poder legislativo autónomo e o Parlamento Escocês encerrou. Foi o início da união política entre o reino da Escócia e o reino de Inglaterra, criando-se então o reino da Grã-Bretanha. Nos 292 anos seguintes a Escócia viria a ser governada a partir de Londres.

Contudo, o referendo de 1997 determinou que os escoceses queriam parte da sua autonomia de volta. Como consequência, o novo parlamento escocês foi inaugurado em 2004 em Edimburgo. Alvo de muito criticismo e controvérsia, o edifício teve um custo de 414 milhões de libras, muito acima do inicialmente orçamentado entre 10 e 40 milhões.

Leiam também o roteiro o Roteiro de 4 dias em Edimburgo. Se gostaram do que leram e vos consegui dar algumas dicas, sigam o Contramapa no FacebookInstagram Twitter. Têm outras dicas ou dúvidas? Deixem nos comentários.

 

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

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