,

Máquina fotográfica para viajar: as minhas escolhas

Desde que comecei nestas andanças do blog, já várias vezes me questionaram que máquina fotográfica para viajar utilizo. Não sou nenhuma fotógrafa, mas desde que criei o Contramapa, tenho tentado tirar melhores fotografias. Estou até a tirar um curso de fotografia que me vai permitir utilizar melhor o modo manual e editar fotografias.

Uma das coisas que aprendi neste curso é que o tipo de câmara ajuda (muito), mas não é tudo. O mais importante é o olho de quem fotografa, a sensibilidade para tirar aquela fotografia no momento exato e na perspetiva correta. A fotografia que transmite emoção. Poderão ler mais sobre isso nas Dicas de Fotografia para Viagem, mas, caso estejam também a pensar adquirir alguma câmara fotográfica, aqui seguem as minhas escolhas.

roteiro de 4 dias em Quioto

Máquina fotográfica para viajar: mas qual?

Antes de adquirir a minha máquina fotográfica para viajar, pouco antes de ir para o Sudeste Asiático em 2013, tive de comprar uma máquina fotográfica digital. Nessa altura, pesquisei bastante e tive de tomar uma decisão relativamente ao tipo de câmara: Compacta, Bridge, DSLR ou Mirrorless? Estes são, genericamente, os 4 tipos de máquinas digitais.

Máquinas Fotográficas Compactas

As máquinas compactas são aquelas mais pequenas, de lente fixa. Têm um custo amigável à carteira mas, devido à fraca qualidade do produto final, para mim estavam fora de questão. Hoje em dia, existem máquinas compactas bastante razoáveis, que pesam pouco e são ideias para quem quer apenas guardar as memórias. Contudo, as máquinas compactas têm muitas limitações para quem goste de fotografia. Basicamente, a maioria não tem um modo manual puro e, portanto, não podemos controlar a 100% a fotografia. O facto de terem lentes fixas também baixa bastante a qualidade das máquinas e dá-lhes um tempo de vida muito limitado. E, hoje em dia, as câmaras já bastante avançadas dos smartphones já praticamente substituem a necessidade destas máquinas.

Máquinas Fotográficas Bridge

Tal como o nome em inglês indica, estas câmaras fazem a ponte entre as máquinas compactas e as máquinas profissionais DSRL. Em teoria parece bom, mas na prática é uma opção que pus logo de lado. A qualidade das fotografias e da lente zoom são superiores às das máquinas compactas e este tipo de máquina já tem modo manual. Contudo, as máquinas bridge são bastante pesadas e têm uma lente fixa, o que lhes dá também um tempo de vida limitado. Em termos de preço, estas câmaras estão ao mesmo nível dos modelos mais baratos de Mirrorless e DSRL.

Máquinas Fotográficas DSRL

As máquinas DSRL funcionam com o mesmo princípio das máquinas analógicas. Quando disparamos, o espelho interno sobe e reflecte a imagem para um pentaprisma. Contudo, em vez de um rolo de fotografia, onde a imagem fica “impressa”, existe um sensor ótico que captura a imagem e a guarda num cartão de memória. Estas câmaras produzem fotografias de elevada qualidade, permitem fotografar em modo manual e têm lentes intermutáveis, para que possamos adaptar a câmara àquilo que estamos a fotografar. As máquinas fotográficas DSRL mais baratas têm sensores abaixo dos 35mm (com um “crop frame”), enquanto que as DSRL de maior qualidade têm um sensor de 35mm (o chamado “full frame”). Isto é importante na compra da máquina já que é um fator determinante da qualidade das fotografias e vai influenciar a escolha das lentes. Estas câmaras têm apenas duas desvantagens: são pesadas e podem chegar a preços exorbitantes.

Máquinas Fotográficas Mirrorless 

As máquinas mirrorless não capturam a imagem através de espelhos, daí o nome em inglês. São, portanto, câmaras mais pequenas e leves, mas com uma elevada qualidade, praticamente igual às máquinas DSRL. Permitem também fotografar em modo manual e têm lentes intermutáveis. Em relação às DSRL, as câmaras mirrorless são genericamente melhores em vídeo, no autofócus e disparam mais rapidamente. Em relação a desvantagens, as mirrorless gastam a bateria mais depressa e os visores óticos são menos fiáveis em baixa luz (o que significa que a imagem que vemos no visor pode não ser igual à fotografia).

Tal como nas DSRL, as mirrorless mais baratas têm sensores abaixo dos 35mm, enquanto que as de maior qualidade têm um sensor de 35mm.

Máquina fotográfica para viajar: a minha opção

Em 2013, a minha escolha de máquina fotográfica para viajar foi uma mirrorless. Hoje, continuo a preferir este tipo de câmara, mais leve e pequena. São muito práticas para quem anda em viagem ou o dia todo fora de casa, sem necessitar de uma mala extra apenas para a câmara.

Sony NEX

A câmara que adquiri em 2013 foi uma Sony NEX, com uma lente zoom 16-50mm. Na altura, este era o modelo de entrada das câmaras mirrorless, com um custo bastante simpático: 300 €, na Amazon. Este modelo já foi descontinuado pela Sony, que hoje tem opções bem mais versáteis. Se fosse hoje não compraria esta máquina por duas razões: não tem entrada de áudio para colocar um microfone (que atrapalha quem quer fazer vídeo) e não tem um visor ótico (tem apenas ecrã LCD onde podemos visualizar a imagem).

maquina fotografia para viajar

Se fosse hoje, para uma câmara de entrada, adquiriria provavelmente uma Sony a6000, que está um intervalo de preço acima da Sony NEX (encontrei-a por 580€ na Amazon, com uma lente zoom 16-50mm). Além de já ter um visor ótico e entrada de áudio, tem um ISO que varia entre 100 e 25.600 (na minha Sony NEX o ISO começa a 200, o que significa que à partida a imagem tem menos qualidade).

Ainda assim, a Sony NEX, com as suas limitações, foi e continua a ser uma máquina ótima para quem se está a iniciar na fotografia. Todas as minhas fotografias da viagem aos Estados Unidos foram tiradas com ela, tal como a grande maioria das fotografias que tenho tirado por Portugal. Vão lá espreitar ou vejam estas abaixo:

onde comer serra da estrela

serra da estrela portugal

bodie cidade fantasma

visitar yosemite national park

visitar yosemite national park

Sony a7R II

Para as grandes viagens que fiz em 2017, a Sony cedeu-me uma Sony a7R II. E, bom, as minhas fotografias subiram alguns furos em qualidade. Esta câmara tem um sensor “full frame” (ao contrário das anteriores), tirando fotografias a 42,4 Megapixéis. O ISO vai de 50 a 102.400 e tem um sistema próprio de estabilização, para que mesmo com tempos de exposição mais longos, as fotografias não fiquem tremidas. Isto significa que, mesmo com pouca luz, as fotografias à noite ficam bastante boas sem flash. É rápida a tirar fotografias e a focar, o que também dá muito jeito quando estamos a tirar fotografias de rua e não podemos perder “aquele momento”.

maquina fotografia para viajar

O único inconveniente? É mesmo o preço. Em fotografia, se queremos subir uns furos na qualidade, também temos de abrir os cordões à bolsa. Na Amazon, a Sony a7R II está a 3.290€ apenas o corpo, sem lente. Um investimento que não é para todos. Mas o resultado, esse, fica acima das expectativas. Utilizei a Sony a7R II nas minhas viagens ao Japão, a Marrocos e no Caminho de Santiago. Vão lá espreitar ou vejam os resultados nas fotografias abaixo:

roteiro 4 dias quioto

roteiro no japão 3 semanas

deserto de merzouga

maquina fotografia para viajar

Gostaram do artigo sobre a máquina fotográfica para viajar ideal? Se tiverem mais dúvidas, deixem nos comentários. Leiam também as 10 Dicas de Fotografia de Viagem e 3 das Melhores Action Cameras (2015). Se gostaram do que leram e vos consegui dar algumas dicas, ajudem a crescer o Contramapa e partilhem o artigo. Podem também seguir no FacebookInstagram Twitter.

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

Novidades, dicas de viagem e promoções diretamente na tua caixa de entrada. Introduz o teu e-mail para saber tudo em primeira mão.

CONTRAMAPA

8 comentários
    • contramapa
      contramapa says:

      Olá Filipa! Obrigada!
      Olha, da Sony, o primeiro modelo full-frame mirrorless é o ILCE-7 e custa 1.100 euros já com lente, se procurares na Amazon, que é onde encontro coisas mais baratas (Fnac e Sony online é bem mais caro). Mas esta é a que eu conheço, deve de haver modelos semelhantes noutras marcas. Acho que a Fujifilm também tem desenvolvido boas máquinas mirrorless, e há também a Nikon e a Canon!

      Responder
  1. Filipe Morato Gomes
    Filipe Morato Gomes says:

    Sem desprimor para as Sony, que nunca usei, sou adepto das mirroless da Fuji. A XT2 será, muito provavelmente, a minha próxima compra (conheço fotógrafos profissionais que já abandonaram as pesadas DSLR da Nikon em favor das pequenas Fuji).

    Responder
  2. Phil
    Phil says:

    Considerando que a inclusão de mais um equipamento para viajar (o próprio equipamento, carregador, etc) e considerando que em modo viagem temos que medir bem o que transportamos, eu diria que a melhor máquina fotográfica é mesmo o smartphone, especialmente se estivermos a falar de um iPhone 7 Plus ou P10 com lente Leica (isto para não dizerem que só recomendei um equipamento da Apple).

    Com o smartphone temos tudo… a câmara, a edição (em RAW, se necessário), o nível de abertura tem melhorado imenso, o que permite mais e melhor profundidade de campo, bem como fotos mais sharp, porque os sensores também vão melhorando.

    Para vídeo, é a mesma coisa. Um iPhone 7 Plus combinado com um micro e um equipamento tipo \”DJI Osmo Mobile\”, o blogger viajante, tem um setup minimalista que lhe permitirá fazer quase tudo, somente com o smartphone.

    Eventualmente, a preocupação terá que ser transmitida para a questão da autonomia e bateria, mas foi para isso que criaram os powerbanks. 🙂

    Também eu, andava a pensar numa solução mais a sério (e sim, olhei bastante para as Sony, por influência do Trey Ratcliff, com quem acabei por acompanhar no photowalk em Lisboa, apenas com o iPhone). Passei de uma Nikon D40 para uma Nikon D90. Apostei em lentes… com mais abertura, com zoom fixo, com zoom, etc. Apostei em equipamento diverso: tripés, monopod, etc. Ao mesmo tempo, a lente e sensor do iPhone ia melhorando a olhos vistos e como diz o Vasco Casquilho: \”A melhor máquina é aquela que vos acompanha sempre!\” Escuso de perguntar qual é o equipamento que vos acompanha sempre.

    Por isso, no próximo mês de Setembro, a minha curiosidade vai mesmo para as novidades que a Apple terá para apresentar na câmara do próximo iPhone.

    E sim, efectivamente o olho fotográfico pode valer tanto ou mais que uma boa máquina fotográfica.

    Responder
    • contramapa
      contramapa says:

      Phil, trazes uma perspectiva muito útil, que tentei abordar quando falei das máquinas compactas, mas na qual não me quis alongar muito para o artigo não ficar muito grande.
      Acho que para alguém que gosta de fotografia a sério, um telemóvel nunca será opção. Contudo, para quem não faça um uso profissional das fotografias, cada vez mais o telemóvel é a solução, quase equiparável às máquinas compactas. Nem fazia ideia que os telemóveis gravavam em RAW, é uma surpresa. Vou ficar atenta mas acho que para mim (que ainda volta e meia publico em papel), o telemóvel não é opção. 😛
      Muito obrigada pelo teu contributo!
      Diana

      Responder
      • Phil
        Phil says:

        Eu compreendo a questão do uso profissional. Mas cada vez mais a questão é exactamente essa… os amadores que adoram fotografia, não vão andar com a máquina fotográfica atrás, quando o smartphone está numa fase em que começa a equiparar-se às máquinas fotográficas e esse está sempre connosco.

        Só por curiosidade, deixo este vídeo do MKBHD, que aborda precisamente os acessórios que muitos profissionais adicionam aos smartphones! 🙂 youtube.com/watch?v=OkPter7MC1I

        Responder
        • contramapa
          contramapa says:

          Sim, para os amadores sim… as compactas são cada vez mais um gadget dispensável!
          Gostei daquela video… mostra que afinal não é assim tão simples. Os brinquedos são bem maiores (e caros…)

          Responder

Deixa um comentário

Gostaste do artigo?
Tens dicas para partilhar?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.