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De Marrakech às portas do deserto em Ouarzazate

Não vou estar aqui com eufemismos. É uma longa viagem. Apenas 200kms separam as cidades de Marrakech e Ouarzazate, mas com a cordilheira do Atlas pelo meio, os quilómetros palmilhados parecem duplicar. Spoiler alert: tudo vale a pena quando a alma não é pequena, já dizia o nosso Pessoa.

Iniciámos a jornada cedo. Prontos às 9 horas da matina, lá nos despedimos do nosso riad em Marrakech, rumo às montanhas. Deixávamos para trás uma cidade dourada de uma energia fulminante, para entrar nas estradas cada vez mais inóspitas que nos levam às profundezas de Marrocos.

A uma velocidade imprópria para cardíacos (e para as curvas alucinantes), atravessámos a cordilheira do Atlas, subindo em altitude. Esta cadeia montanhosa percorre mais de 2.400kms, estendendo-se não só por Marrocos, mas também pela Argélia e Tunísia.

de marrakech a ouarzazate

Em Marrocos, estas montanhas estão divididas entre o Alto Atlas, o Médio Atlas e o Anti-Atlas, sendo que o ponto mais alto se encontra em Toubkal, a 4.167 metros de altitude. Localizado a 63km a sul de Marrakech, este ponto é visível quando aterramos de avião e está quase sempre coberto de neve.

Casbás e ksour: a paisagem do sul de Marrocos

Nós não voámos tão alto para chegar a Ouarzazate. Atravessámos o Alto Atlas de autocarro a uma altura de aproximadamente 2.000 metros, passando por uma paisagem verdejante e voltando ao cenário inóspito que caracteriza boa parte do sul de Marrocos. Depois de atravessarmos o Atlas, fizemos uma curta paragem em Talouet, onde se encontra o casbá de El Glaoui, o paxá de Marrakech entre 1912 e 1956.

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Os casbás (ou kasbahs) são cidadelas fortificadas, tipicamente sem janelas e construídas no topo de montanhas ou outras elevações. Uma espécie de castelos. As famílias mais poderosas construíam-nas para sua habitação privada como um símbolo de riqueza e de força militar. Chegaram a existir centenas no norte de África, que pertenciam a sultões, paxás e alcaides. A palavra “alcáçova” deriva desta palavra e ainda hoje resistem muitos casbás em Marrocos – uns em ruínas, outros reconstruídos e abertos ao público, e outros convertidos em hotéis de luxo.

Existe o casbá de Talouet, mas na zona fica também o casbá de Taourirt (em Ouarzazate, onde foram gravadas algumas das cenas da Guerra das Estrelas) e de Tifoultoute. O casbá mais famoso de Marrocos é talvez o de Udayas, em Rabat, que se assemelha mais a um castelo tradicional.

Além dos casbás, existem também os ksour (ou ksar, no singular): vilas fortificadas que, tipicamente, têm um ou mais casbás no seu interior. Os casbás e os ksour compõem as paisagens mais reconhecidas desta zona do país e têm uma característica única: são feitos de lama, palha e argila, diluindo-se na paisagem circundante. Muitos deles têm mais de 200 anos e alguns ainda são habitados.

Seguimos caminho até chegar ao vale de Ounila, onde o verde contrasta com o vermelho. Por aqui, passavam as caravanas oriundas do deserto do Saara, que percorriam quilómetros com as suas mercadorias até chegarem aos mercados de Marrakech. Esculpidos na rocha, ainda lá estão as grutas que os nómadas utilizavam temporariamente.

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A nossa próxima paragem foi precisamente o ksar mais famoso e melhor preservado da região. Aït Benhaddou é património mundial da UNESCO e data do século XVI. Apesar da vila estar praticamente em ruínas, ainda existem 4 famílias a viver por aqui e muitas lojas abertas aos turistas. Num cenário dramático, o ksar encontra-se numa elevação junto a um rio, facto que o torna bastante cobiçado para o mundo cinematográfico. Por aqui, já foram gravadas cenas de vários filmes: Gladiador, A Múmia e Babel são apenas alguns exemplos.

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Ouarzazate: às portas do deserto

Ao final do dia aproximámo-nos de Ouarzazate, para mais uma visita cinematográfica: os Atlas Studios, onde se encontram muitos dos cenários utilizados em filmes e séries. Existem réplicas de praças de Jerusalém, de entradas de pirâmides egípcias e, até, de templos budistas. Mais recentemente, foram aqui gravadas cenas da Guerra dos Tronos.

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Chegámos ao final do dia a Ouarzazate, já exaustos da longa jornada. Ainda houve tempo para comer uns caracóis temperados (a versão marroquina dos franceses escargot) e para passear pela praça Mouahidine, no centro da cidade: outra grande praça marroquina que ganha vida à noite, quando as famílias terminam a labuta diária e se passeiam pela fresca. Recuperámos energia e preparámo-nos para a próxima etapa: o deserto!

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Gostaram do artigo de Marrakech a Ouarzazate? Leiam também a segunda parte desta viagem, de Ouarzazate ao deserto de Merzouga. Esta viagem foi realizada a convite da agência de viagens Marrocos.com. Se gostaram, sigam o Contramapa no Facebook e no Instagram.

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

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13 comentários
    • contramapa
      contramapa says:

      Então, tem de comprar. É uma viagem linda, mesmo. Muito diferente, mas também muito seguro. Se precisar de dicas quando for, diga! Beijos

      Responder
    • contramapa
      contramapa says:

      Angie, é tudo falso, mas parece que estamos a viajar dentro do mesmo lugar. Egipto, Nepal, etc. Se for a Marrocos, tem de fazer uma visita! beijo

      Responder
  1. Tina Wells
    Tina Wells says:

    Que viagem incrível! As fotos estão maravilhosas! Fiz um passeio na Tunísia muito parecido, terminando no deserto, com direito a andar de camelo e ver o pôd do sol no Saara. Lugares maravilhosos!

    Responder

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