Depois de visitar o Big Sur, chegámos a São Francisco, uma cidade que exerceu um profundo fascínio sobre mim. Depois de 5 dias passados aqui e depois de ter visitado tantas cidades norte-americanas, era aqui que me via a viver.

E porquê?

Em primeiro lugar, a cidade tem uma aura europeia. Estamos na costa este, a milhares de quilómetros de Portugal, mas São Francisco mostra-se assustadoramente semelhante a Lisboa. Primeiro, a luz dourada que banha a cidade quando o famoso nevoeiro desaparece. Depois, as mais de 50 colinas de São Francisco e a Golden Gate Bridge sempre no horizonte. E, para terminar, até o paralelismo histórico. Tal como Lisboa, São Francisco foi assolada por um terrível terramoto: em 1906 três quartos da cidade foram destruídos.

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Em segundo lugar, é uma cidade de uma diversidade imensa. Tem uma área relativamente pequena – 7 por 7 milhas – mas  os bairros são distintos e com uma cultura muito própria. Em Haight Ashbury encontramos o que resta do espírito de contra-cultura dos anos 60; em Castro encontramos uma vibrante comunidade LGBT (lembram-se do Harvey Milk?); em North Beath encontramos o bairro associado à Beat Generation, com as lojas e bares da moda; em Ravenwood encontramos a classe alta da cidade; na Chinatown, encontramos a maior comunidade chinesa fora da Ásia; no Presidio reencontramo-nos com a natureza; no Embarcadero encontramos muitos turistas e semelhanças à Velha Europa. E por aí adiante.

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visitar-sao-francisco-4742No nosso primeiro dia em São Francisco fomos conhecer um pouco das origens desta cidade. Fundada em 1776, quando os espanhóis decidiram construir o Presidio, a cidade só conheceu uma grande expansão no século seguinte. Terminada a guerra-mexicana americana, a Califórnia passou para o domínio norte-americano e iniciou-se a época da gold rush. São Francisco passou de 1.000 residentes em 1848 para 25.000 em 1849.

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Na segunda metade do século XIX, houve então uma grande expansão da cidade, de forma a acomodar todos aqueles que vinham em busca da riqueza. Uma das construções realizadas nesta altura (e o nosso primeiro ponto de visita) foram os Sutro Baths.

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Localizadas em Lands End, junto ao mar, estas chegaram a ser as maiores piscinas interiores do mundo, com 6 piscinas de água salgada e 1 piscina de água doce. O complexo foi destruído em 1966 devido a um fogo, mas as ruínas podem hoje ser visitadas.

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O nosso segundo ponto na cidade foi o Presidio. A base militar e prisão fundadas ainda na época colonial foram transformadas em 1994 num parque nacional, sendo a partir de então gerido pelo National Park Service, como zona habitacional e de recreio, onde a natureza continua a ter um papel predominante.

É nesta zona que se encontra o Walt Disney Family Museum e a Lucasfilm, reconhecida pela estátua do Yoda.

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No final desta área, existe o Palácio das Belas Artes, fundado em 1915 aquando da Exposição Universal que decorreu na cidade nesse ano. Depois do terramoto e fogos de 1906, em que 3.000 padeceram e 80% da cidade ficou destruída, São Francisco aproveitou esta oportunidade para mostrar ao mundo que se tinha reconstruído e levantado das cinzas em menos de 10 anos. O Palácio das Belas Artes é um dos edifícios mais emblemáticos e um dos poucos sobreviventes da Exposição de 1915.

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Da parte da tarde reunimos energias e alugámos bicicletas. São Francisco parece não ser uma cidade muito amiga de quem gosta de pedalar, mas as aparências iludem! Apesar de existirem dezenas de colinas, na grande maioria estas podem ser evitadas, se estudarmos bem o nosso caminho. E a cidade ajuda, já que em muitas estradas existe sinalética no pavimento, que nos orienta para o melhor percurso!

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O nosso percurso começou perto de Crissy Field East Beach (acima), a partir de onde nos dirigimos para a Golden Gate Bridge. Construída em plena época da Grande Depressão, a ponte tem 2,7kms de comprimento, e pode ser percorrida de carro, de bicicleta ou mesmo a pé. E vale a pena ir ao outro lado, nem que seja para ir a Vista Point e ter uma perspectiva mais ampla da cidade de São Francisco.
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Depois de Vista Point, continuámos em frente e decidimos passar o resto do dia a pedalar. A próxima paragem foi Sausalito, uma povoação costeira com pouco mais de 7.000 habitantes. Com uma bela marina e uma população maioritariamente branca e abastada, não fiquei muito surpreendida quando descobri que uma das cidades irmãs de Sausalito é Cascais.
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Depois passámos por Bothin Marsh, uma área protegida da Richardson Bay. Este é um ponto de paragem para mais de 400 espécies migratórias e habitat natural de algumas espécies em perigo de extinção. O parque é também um local activo onde se realizam várias actividades abertas ao público.

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Passámos ainda pelo Bayfront Park e pelo Hauke Park.  Continuámos a pedalar, passando pelo Richardson Bay Audubon Center & Sanctuary e por McKegney Field, onde, além de respirar ar puro e ter mais uma panorâmica sobre a cidade de São Francisco, observámos as pequenas casas pitorescas construídas junto à baía, sob estruturas de madeira.

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E aproximávamo-nos de Tiburon, o nosso destino final. Esta é mais uma pequena cidade de classe média-alta com uma bela marina, à semelhança de Sausalito. Pela beleza, proximidade à natureza e a Angels Island, é também uma localidade com algum turismo.

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Aqui, apanhámos o ferry de volta para São Francisco, que demora cerca de 20 minutos, e terminámos a nossa aventura sobre rodas. Estávamos exaustos, mas de volta ao centro, com ainda quase tudo por explorar nos próximos dias…

Gostaram do artigo? Leiam também onde estive antes: de visita no Big Sur, em Los Angeles e Santa Monica e Flagstaff e Route 66. Vejam também o Roteiro de 1 mês pelos EUA.

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Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

20 replies
  1. Catarina
    Catarina says:

    Muito interessante! Sempre tive curiosidade em relação a São Francisco, exactamente porque tinha ideia de que seria uma cidade próxima a Lisboa. Um dia irei fazer-lhe uma visita.

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  2. telmoquadros
    telmoquadros says:

    Parabéns pelo artigo. São Francisco parece ser mesmo uma cidade boa para se viver, com características europeias. O pior mesmo é a falha tectónica lá existente…não sei como é que os locais lidam com essa situação, e esse seria um tema interessante para ser também abordado. Continuação do bom trabalho!

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  3. Larissa Pereira
    Larissa Pereira says:

    Uau, você pegou dias lindos em San Francisco! Quando estive aí, presenciei o famoso nevoeiro. Realmente, San Francisco é uma cidade incrível! Das norte-americanas, pra mim só perde pra NY. E não havia percebido essa semelhança com Lisboa (não havia ido a Lisboa ainda), mas faz muito sentido!

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  4. Dani Biapo
    Dani Biapo says:

    Engraçado, peguei um tempo tão ruim em São Francisco que acabei inclusive cancelando esse passeio. Da Califórnia gostei bem mais da parte sul

    Bjs

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  5. Juliana Moreti (turistando.in)
    Juliana Moreti (turistando.in) says:

    Parabéns pelo teu texto e pelas fotos, Diana!
    Tenho vontade de conhecer esse lado americano e esse teu artigo será de grande valia!
    Achei interessante essa tua associação com a cidade de Lisboa!
    beijinhos

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  6. Débora Resende
    Débora Resende says:

    Conhecer São Francisco sempre foi um dos meus maiores sonhos!! Amo esses lugares que se pode andar até com a bunda de fora! ahahah 🙂

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