Boston foi a cidade ideal para começar uma longa viagem pelos Estados Unidos. Sendo uma das cidades fundadoras dos Estados Unidos que acolheu os colonos ingleses vindos da Europa, Boston foi também uma das cidades mais importantes na Revolução Americana que gerou a Declaração da Independência dos Estados Unidos. Foi aqui que se desencadearam os primeiros passos da revolta que depois se espalhou em todo o país.

Boston Common

Tudo começou em 1765 quando o Parlamento Britânico decidiu impor impostos directos sobre as suas colónias através do Stamp Act. Os colonos ingleses americanos viviam sobre a máxima “No Taxation Without Representation” e, como tal, não gostaram.

Os ânimos começaram a exaltar-se, a insatisfação dos patriotas (colonos que estavam contra os britânicos) aumentou, o que levou à criação dos Sons of Liberty, fundada por Samuel Adams (de Boston), e tendo como membro John Adams, futuro presidente dos Estados Unidos.

Os boicotes e manifestações contra a metrópole aumentaram, mas a Inglaterra respondia na mesma letra, legislando contra as colónias. Neste clima de animosidade, em 1770, deu-se o Massacre de Boston, em que cinco civis foram mortos pelo exército britânico, que disparou sobre uma multidão que os provocava.

Este episódio tornou-se famoso e os patriotas utilizaram-no para criar mais antagonismo. A onda de insatisfação cresceu, o que gerou episódios como a Boston Tea Party, em que os Sons of Liberty destruíram um carregamento de chá inglês, em protesto contra o Tea Act, que mais uma vez aumentava os impostos.

Boston bay

Entretanto a revolta alastrou-se a outras cidades e Estados (13, no total), mas foi aqui em Boston que tudo começou. E por isso mesmo, esta é uma das cidades com mais história nos Estados Unidos, onde quisemos começar a nossa descoberta pelo país.

Sendo de dimensões pequenas, rapidamente me apercebi que podíamos visitar grande parte da cidade a pé durante um dia (ainda que longo). E é esta a forma ideal de percorrer Boston! Foi desenhado o Freedom Trail, um roteiro pela cidade, que passa pelos principais pontos históricos, museus e residências dos patriotas, num total de 16 pontos ao longo de 4km.

Saímos então pela fresquinha do nosso Hotel – ficámos alojados no OMNI com um estilo clássico e pomposo e quartos pequenos mas bem equipados – e começamos a explorar: King’s Chapel, King’s Chapel Burying Ground, Granary Burying Ground (onde se encontra Samuel Adams, as vítimas do Massacre de Boston, entre outros).

Gostei bastante do Old State House, um dos edifícios mais antigos dos Estados Unidos que ainda sobrevive. Fundado em 1713, era aqui que era realizada a legislação da colónia de Massachusetts. Mesmo por trás do edifício fica o marco do Massacre de Boston, que guarda no chão as pedras onde o sangue correu.

Old State House

Old State House

Marco ao Massacre de Boston

Marco ao Massacre de Boston

Depois desta primeiro imersão na História, parámos no Quincy Market para uma refeição. Apesar de ainda ser cedo (não passava das 10h), o mercado já estava repleto de refeições completas e do mais guloso que se possa imaginar. Desde doçaria colorida, hamburguers, pizza, ostras recheadas, pastéis, carnes grelhadas, etc. Uma espécie de Mercado da Ribeira em pequeno, mas menos pretensioso.

Quincy Market

Quem resiste?

Apesar da hora, quis logo provar o Clam Chowder, um creme de ostra bem temperado que é uma especialidade local. Olá comida gulosa. Olá Estados Unidos. Também provamos um pastel de espinafres e galinha que também soube a pato, com um molho ligeiramente picante. Mesmo bom pela manhã.

Quincy Market

Querem melhor pequeno-almoço que isto?

Quincy Market

No interior do Quincy Market

Quincy Market

Os corredores do Quincy Market

Depois deste batismo, continuámos no Freedom Trail. O Faneuil Hall ficava mesmo ao lado. Este deve ser um dos mercados mais antigos nos Estados Unidos, fundado a 1743, onde foram dados discursos a favor da independência pelos patriotas, como Samuel Adams e James Otis.

O último dos pontos no roteiro é o USS Constitution e o seu respetivo museu, de entrada gratuita. O USS Constitution é um dos navios de guerra americanos mais conhecidos e este foi também um batismo na forma como os Estados Unidos contam a História. Através da Guerra, sempre através da Guerra. O Elogio da Guerra.

Medalhas de Soldados

Medalhas de soldados americanos mortos em combate durante a guerra do Iraque e Afeganistão

navio USS Constitution

A melhor foto que conseguimos do USS Constitution, que estava em restauração.

Depois da visita ao passado, orientámo-nos para o futuro e fomos visitar dois centros académicos. É verdade, Boston é uma cidade universitária e alberga a Harvard e o MIT.

Em Harvard encontrámos um jardim repleto de turistas, alunos de secundário em visita e gente local a passear e a ler. Também não seria para menos, o espaço é muito agradável e há bancos e cadeiras coloridas por todo o lado.

bandeira harvard

A bandeira de Harvard

Harvard

Mãaae, entrei em Harvard!

Nós ficámos a observar o cenário e ainda tentámos ir à Biblioteca de Harvard, mas esta é exclusiva para os estudantes. Com 73 bibliotecas e mais de 18 milhões de publicações, o edifício foi fundado em 1638 por John Harvard. Como compensação, decidimos ir à Livraria de Harvard e descobrimos um espaço muito mais descontraído e acolhedor.

Harvard Bookstore

O Grito na Harvard Bookstore

Continuando a experiência americana, comemos o nosso primeiro burger que não deixou nada a desejar. Fomos a um restaurante de estudantes por perto e, além do hamburger e das batatas fritas, tínhamos um acompanhamento de chilli. Nada mau. Fast food, mas em bom.

burger chilli

Primeiros!!!

Passámos ainda por Newbury Street, uma rua de duplexes com jardim, transformadas em lojas. Desde cafés e restaurantes, a artesanato local, roupa em segunda mão, e lojas de grandes marcas. Tudo num ambiente de bairro, numa rua ladeada de árvores.

No final da rua começava o Boston Common, que é, curiosamente o primeiro ponto do Freedom Trail. Fundado em 1634, é o parque de cidade mais antigo dos Estados Unidos e, passando por ele, há quem corra, ande de bicicleta, passeie o cão, leia um livro ou se passeie num dos barcos-cisne.

Boston Common

A meter-me com os patos.

Esquilo

Amigos para a vida

Nunca fui fã, mas, mesmo ao lado do parque, está o bar onde foi gravada a série Cheers. Segundo consta, o bar foi transformado e já não está igual ao cenário utilizado, mas mesmo assim fizemos questão de ir tirar uma foto para a posteridade.

Cheers Bar

Cheers Bar

E chegámos ao final de um longo, longo dia, e eu queria voltar para trás. Queria conhecer melhor aquela cidade tão “europeia” que apenas tivera um dia para explorar. Queria conhecer mais recantos. Mas tinha de seguir em frente. O autocarro para Nova Iorque estava à nossa espera e uma cidade enorme aguardava-me.

Vejam o roteiro da viagem dos EUA completo ou o primeiro dia de viagem.

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

9 replies
  1. Roadrunner
    Roadrunner says:

    Sem dúvida uma cidade interessante e repleta de história (para os padrões norte-americanos). O contraste entre o histórico e o moderno fica-lhe bem, e os ícones que descreve merecem certamente uma visita.

    Saudações!

    Responder

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