No segundo dia em Havana, voltámos ao ponto de partida do dia anterior, Plaza de Armas. Esta praça tornou-se ao longo dos últimos séculos o centro social da cidade, albergando edifícios históricos da época colonial, uma feira ao ar livre e uma grande variedade de cafés e restaurantes.

Malecón - Havana

Começamos então o dia com a entrada no Palacio de los Capitanes Generales, agora transformado no Museo de la Ciudad, que fica também nesta praça (preço de entrada – 3 CUC). O palácio do século XVIII, com as colunas, arcadas e escadarias, o pátio interior e os múltiplos salões, é uma montra do luxo colonial, tendo sido habitado por colonos espanhóis e governadores norte-americanos. Foi também, já no século XX, o palácio presidencial.

Museo de la Ciudad - Havana

Hoje conta com mais de 40 salas de exposições permanentes, contando a histórica dos primeiros exploradores espanhóis até à independência da ilha. Gostei especialmente da sala dos uniformes dos colonos espanhóis e deliciei-me a pensar nos generais que usavam estas fardas durante todo o dia, a torrar sob o sol tropical e clima húmido de Cuba…

Museo de la Ciudad - Havana

Depois de nos afastarmos um pouco do centro histórico, fomos explorar um mercado. Apesar de a carne estar ali ao ar livre cheia de moscas e de o espaço ser bastante pequeno, encontrámos uma grande variedade de vegetais.

Do outro lado da rua, numa espécie de barracão, ficava a Area de Trabajadores por Cuenta Propria (foto abaixo). Afinal, há empreendedores em Cuba, imaginem! Fui espreitar, curiosa, só que quando se entra, é um espaço minúsculo que tem coisas para aí em quinta mão, como t-shirts sujas e parafusos ferrugentos. OK, esqueçam lá isso da iniciativa privada.

Area de Trabajadores por Cuenta Propia - Havana

Depois dos mercados e de termos assistido a mecânicos amadores no meio da via pública e a um casamento cubano que passou na rua, passámos pelo Capitólio e fomos almoçar.

Havana

Descobrir um bom restaurante em Cuba pode ser um desafio. Os estabelecimentos são do estado, que não exige um serviço de excelência, e os empregados não sentem a necessidade de prestar um serviço melhor, porque ganham muito pouco com isso. Esta falta de cuidado notou-se especialmente em Varadero, onde os empregados eram tudo menos simpáticos, mas em Havana também se sente um pouco. Existem também alguns restaurantes privados em casa de particulares – os chamados paladares – mas falta-lhes um pouco de profissionalismo.

Posto isto, tivemos sorte e encontrámos um sítio bastante agradável – o Restaurante Hanoi / La Casa de La Parra, na Calle Teniente Rey. Com esplanada interior, boa comida e a um preço muito acessível (os mojitos e pratos eram a metade do preço da Bodeguita del Medio). Ainda para mais, tínhamos um trio de músicos a tocar especialmente para nós. Que mais se pode querer?

Havana

Depois de almoço ainda fomos à Plaza de la Catedral, onde está a Catedral de San Cristobal e, claro, ao Museo de la Revolución, onde fomos muito elucidados (cof… propagandisados…cof) acerca das 1001 vantagens do regime comunista e a sua história de sucesso em Cuba. Objetos pessoais de Fidel Castro, Che Guevara e outros, panfletos, cartas, documentos oficiais, um avião militar e muitas fotografias são os principais elementos do museu (e entrada custa 4 CUC).

Museo de la Revolución - Havana

À noite fomos conhecer o Cabaret Parisien, no Hotel Nacional, o típico espectáculo para turista. O musical era engraçado porque retratava a história cubana. Mas só isso. O engraçado não compensou os 60 CUC que pagámos. Ainda para mais, o jantar não foi nada de especial e a coreografia dos dançarinos era bastante amadora. Ainda assim, gostei de ver o ambiente do  imponente Hotel Nacional  – ainda que agora se encontre um pouco decadente, conseguimos vislumbrar a glória que este espaço teve no passado.

Museo de la Revolución - Havana

Para terminar a viagem, na manhã seguinte fomos dar um passeio de autocarro, onde ainda passámos por alguns pontos de interesse, como a Universidade de Havana, Cemitério Colon e a Plaza de la Revolutión José Martí. Passámos também pelo Vedado, um bairro composto por casarões, onde vive a família Castro e toda a elite de Havana, e em que existe uma velocidade mínima de circulação, e não é aconselhável andar a pé. Ups.

Cemeterio Colon - Havana

Para fazermos este passeio, utilizámos o autocarro Hop On Hop Off, à semelhança do que existe em Varadero. Existem 2 rotas para estes autocarros, e eles estão acessíveis através de um bilhete que é válido para o dia inteiro, por 5 CUC (é difícil encontrar informação sobre o serviço, mas eu encontrei aqui). As paragens bem sinalizadas ao longo de toda a cidade, não apenas em Havana Vieja, portanto pudemos conhecer os diferentes bairros da cidade em 2 horas, com o vento a bater na cara e sentados confortavelmente debaixo do sol do caribe. É uma boa forma de começar uma viagem a Cuba e também… de a terminar.

Leiam sobre as Vantagens e Desvantagens de Cuba como Destino e sobre a minha experiência: Chegada a Varadero, Um dia em Matanzas e Primeiro dia em Havana.

Havana

Havana

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

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