Cuba não se resume às praias paradisíacas. Depois de quatro dias de papo para o ar com escolhas difíceis (praia ou piscina? rum ou mojito?), passámos o réveillon no Hotel Cubanacan Tuxpan. Aliás, os 4 réveillons. O primeiro foi o dos russos, depois o dos franceses, de seguida, o português… e algumas horas depois, o cubano.

matanzas cuba

Claro que quando chegámos à passagem de ano cubana já não tínhamos energia para muito mais. E ainda bem. O staff do nosso malfadado Hotel estava a fazer um autêntico frete, e fiquei desconfiada de que os cubanos não gostam lá muito de passagens de ano – a festa do nosso Hotel foi um espectáculo de variedades preparado pelos empregados-actores.

Ora que, no dia seguinte, sem ponta de qualquer ressaca, rumámos a uma experiência mais cultural. Nem tudo correu bem, mas o facto de termos querido ir no dia 1 de Janeiro poderá ter contribuído para o nosso insucesso.

Matanzas

Primeiro, tentámos alugar um carro, e combinámos a hora de saída na entrada do Hotel com um motorista. No entanto, quando o mesmo apareceu à hora marcada, estava com ar de estar com um ressaca brutal, e apenas nos levou de carro para outro local onde supostamente estaria o “nosso motorista”. Acontece que, ao contrário do que ele tinha combinado no dia anterior, afinal não seria ele a levar-nos e o carro moderno que tinha prometido, tinha, afinal, mais de 50 anos. Claro que ficámos desconfiados, sentimo-nos enganados, e pedimos ao motorista para nos levar de volta ao Hotel…

Mas não desistimos à primeira tentativa. Fomos de seguida ao lobby do Hotel e informaram-nos que existia um autocarro público para os turistas que fazia a rota de Varadero a Matanzas (podem consultar o horário aqui). Pareceu-nos uma ótima alternativa ao nosso plano e fomos de seguida para a paragem de autocarro. Só que depois de esperarmos uma hora no local, ainda nada tinha acontecido…

Voltamos para o Hotel, ligeiramente desanimados e rendemo-nos à evidência da impossibilidade de sermos autónomos, pelos menos no primeiro dia do ano. Para safar aquele dia, uma excursão tinha de ser. Ainda tínhamos um passeio disponível da parte da tarde e pelas 15h00 já estávamos a caminho de Matanzas. Com direito o guia e tudo. Derrota total! A verdade é que não gosto particularmente de andar em rebanho com outros turistas, mas juro que tentámos o nosso melhor para fugir excursão…

Um dia em Matanzas

Com 17 pontes, Matanzas é considerada a Veneza de Cuba por estar rodeada de 3 rios (Rio Yumuri, San Juan e Canimar), um título que achei um bocadinho exagerado. Nos arredores da cidade existem paisagens lindas do rio, mas no centro da cidade não se vê muita água. A cidade teve uma grande influência portuguesa, dado que na primeira metade do século XX, muitos portuguesas fugiram ao salazarismo e construíram as suas vidas naquela cidade.

Um dia em Matanzas

Antes de entrarmos na cidade propriamente dita, fomos às Cuevas de Bellamar, um dos pontos turísticos mais antigos do país, inaugurado no século XIX. Formadas há cerca de 300.000 anos, estas grutas têm mais do que 3km de comprimento, mas apenas conseguimos ver uma parte desta extensão. A entrada nas grutas custa CUC$5 e inclui um guia.

Grutas de Bellamar, Matanzas

Depois desta paragem, seguimos para o Museu Farmecêutico de Matanzas, no Parque de la Libertad. Com longa tradição na área da saúde, os museus farmacêuticos em Cuba são um orgulho para o país (encontrámos outro em Havana, mas não tão completo como o de Matanzas). Extremamente bem conservado, o Museu é um espelho da Medicina no século XIX, altura em que a Farmácia foi inaugurada, e foi o meu ponto preferido nesta cidade.

Museu Farmacêutico, Matanzas

Inaugurada em 1882 pelo Doutor Ernesto Triolet, de origem francesa, a farmácia funcionou até 1964, altura em que foi nacionalizada. Nesse mesmo ano, a farmácia abriu portas ao público como museu, com todos os móveis, instrumentos, livros, medicamentos e ingredientes. Além de podermos ver a parte comercial da farmácia, a sala de confecção de medicamentos também está aberta ao público, tal como a casa senhorial de luxo onde vivia a família do farmacêutico. Podem ser realizadas visitas ao Museu todos os dias da semana e o custo é de CUC$3.

Museu Farmacêutico, Matanzas

Depois da vista ao museu, fomos ao Hotel Velasco, do outro lado do Parque de la Libertad. Um hotel de tradição colonial inaugurado em 1901, que foi renovado em 2011, tornando-se um hotel de charme. Mesmo que não fiquem hospedados aqui, vale a pena um visita ao lobby, que contém fotografias e um pouco da história da cidade. Este Hotel era uma preferência do próprio Hemingway, que ensinou os barmen a fazer uma das bebidas pelo que o Hotel é hoje conhecido.

Para terminar o passeio fomos à Ermita de Monserrate, uma das colinas perto da cidade, com uma vista parorâmica sobre a mesma. A ermida começou a ser construída em 1871, tendo sido inaugurada em 1875 e sendo composta por uma pequena igreja e um adro. À volta da igreja existem 4 estátuas, que representam as 4 províncias catalãs: Barcelona, Girona, Lleida e Tarragona. Além do significado histórico, a ermida é um ótimo sítio para fazer uma paragem e tirar umas belas fotografias à cidade e aos campos…

Ermita de Monserrate, Matanzas

Além destes pontos, existem outros que vale a pena visitar mas que nós, infelizmente, não tivemos tempo. Deixo-vos dois, que definitivamente valem a pena:

Teatro Sauto na Plaza de la Vigía: Monumento neoclássico finalizado em 1863 pelo italiano Daniel Dal’Aglio. É possível fazer tour ao Teatro por CUC$2, mas o teatro ainda oferece espectáculos regularmente.

Castillo de San Severino na Avenida de Muelle: No passado, o castelo serviu de forte e prisão, tendo sido restaurado e aberto ao público. Tem também uma bela vista da cidade de Matanzas. A entrada custa CUC$2 e está aberto todos os dias.

Resumindo e concluindo: Matanzas é uma cidade que vale a pena visitar, principalmente se estiverem parte da viagem alojados em Varadero e já estiveram um bocado fartos de praia… Não é uma cidade inundada de turistas como Havana e, por isso, é possível sentir melhor a realidade cubana. Definitivamente uma paragem que vale a pena!

Leiam sobre as Vantagens e Desvantagens de Cuba como Destino, e a minha experiência em Cuba: Chegada a Varadero, Primeiro Dia em Havana e Segundo dia em Havana.

Chamo-me Diana.Gosto de ler, gosto de escrever e tenho ganho o gosto de viajar. Decidi juntar as histórias acumuladas neste espaço e chamei-lhe Contramapa. Porque nas contracapas dos meus livros existe sempre um mapa, um sítio onde ir, um local a descobrir. Aqui podem conhecer as minhas histórias e viagens em livro aberto.

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